As doenças crónicas são doenças que, após o seu aparecimento, geralmente duram até ao fim da vida dos pacientes portadores da mesma. As pessoas com estas doenças precisam de tratamento para o resto da vida e podem levar uma vida normal se tiverem apoio clínico e familiar.
Epilepsia – breve introdução
A epilepsia caracteriza-se por uma doença do foro neurológico e que envolve o sistema nervoso. Trata-se de epilepsia quando ocorrem, pelo menos, dois episódios de convulsões não estando estas relacionadas com abstinência alcoólica, hipoglicemia, problemas cardíacos ou outras patologias não especificadas. Por vezes, um episódio de convulsão é suficiente para se fazer o diagnóstico da epilepsia, desde que esteja associado um risco elevado de ocorrência de outro episódio.

Figura 1 – Nervos que constituem o sistema nervoso.
No que se refere às convulsões, estas resultam de uma alteração ao nível da atividade elétrica do cérebro e podem ter como origem um trauma (muitas vezes associado a questões familiares) ou não terem uma causa aparente.
A atividade elétrica registada ao nível cerebral tem um início impossível de prever e é, em geral, de curta duração (segundos a minutos e raramente ultrapassa os 15 minutos), sendo que não se verificam alterações cerebrais durante o período de convulsão. A probabilidade de as convulsões de repetirem ao longo do tempo é variável de paciente para paciente.
Como se manifesta a epilepsia?
A epilepsia não se manifesta de igual forma em todos os pacientes, podendo se manifestar na forma de crises simples ou complexas. As manifestações dependem da localização do foco da descarga elétrica ao nível cerebral, podendo afetar o processo de deslocação no espaço, a face, atividades específicas do quotidiano, ou causar diversos tipos de alteração no estado de consciência. Por vezes, os pacientes podem também apresentar movimentos automáticos despropositados (vestir ou despir, caminhar, mastigar ou engolir).
As convulsões podem ocorrer enquanto o paciente dorme e, este tanto pode estar consciente durante a convulsão como não se lembrar de nada após esta cessar. As convulsões podem ser de diversos tipos, podendo os músculos ficar relaxados, contraídos ou apresentarem movimentos espasmódicos.
As convulsões tanto podem apresentar sinais que as antecedem ou surgirem sem sinais prévios não podendo o paciente preparar-se para elas.

Figura 2 – Convulsão epilética.
Causas da epilepsia
Como já foi descrito anteriormente, num grande número de casos em que se diagnostica epilepsia, não é possível determinar uma causa para o desenvolvimento da mesma.
Qualquer lesão que ocorra e que atinja o cérebro pode causar uma lesão no mesmo, que é o principal foco para a ocorrência de crises epiléticas.

Figura 3 – Crise epilética parcial e crise epilética generalizada.
Diagnóstico da epilepsia
O diagnóstico da epilepsia torna-se num processo complexo e que envolve diversas etapas dado que, não é um doença objetiva. A história clínica, o exame neurológico e a realização de análises laboratoriais são, de um modo geral, os primeiros passos que permitem chegar a uma conclusão fiável, ou seja, se as convulsões são ou não o resultado da posse de epilepsia.
Após haver um diagnóstico confirmatório da doença, o eletroencefalograma, a ressonância magnética ou a tomografia computorizada permitem explorar possíveis causas para o desenvolvimento da epilepsia. Procurar uma possível causa para a epilepsia é muito importante no decurso da doença porque permitirá uma melhor seleção do tratamento.
Tratamento da epilepsia
O tratamento da epilepsia tem de ser altamente personalizado e é, por isso, importante ponderar a idade do paciente, as características das convulsões, os fatores associados e o contexto social e profissional.
Muitos dos medicamentos antiepiléticos apresentam efeitos secundários importantes e esse risco requer uma adequada ponderação clínica. Geralmente, o tratamento é iniciado com uma dose reduzida do medicamento selecionado e são feitos ajustes no decurso da doença em função da resposta clínica por parte do paciente. Em alguns casos, o tratamento pode ser interrompido após algum tempo sem que haja repetição das convulsões.
Neste caso e considerando a epilepsia na maioria das vezes uma doença crónica, o objetivo do tratamento não é curar a epilepsia mas sim controlar a ocorrência das convulsões.
Quando os medicamentos não são eficazes, podem ser equacionadas alternativas como a dieta cetogénica ou a cirurgia.
Prevenção da epilepsia
As convulsões associadas à epilepsia estão muitas vezes associadas a alterações da rotina diária do paciente e, que envolvem:
- Stress;
- Ansiedade;
- Consumo excessivo de álcool;
- Tabaco;
- Alterações no ritmo de sono;
- Cansaço;
- Alterações na medicação em curso;
- Estímulos muito intensos (luzes brilhantes, televisão, vídeo, computador);
- Alterações hormonais (mulher).
Fontes: Doenças crónicas, cuf – epilepsia, Sociedade portuguesa de neuropediatria – o que é a epilepsia, minha vida – epilepsia: sintomas, tratamento e causas

