A Febre Mediterrânea Familiar (FMF) é uma doença autoinflamatória caracterizada por episódios de febre e inflamação, normalmente localizada no peritoneu, pleura, articulações e pele.

Mapa da distribuição geográfica da FMF. Retirado de Ben-Chetrit et al.
A FMF ocorre, normalmente, nas primeiras duas décadas de vida, principalmente em crianças e raramente aparece pela primeira vez após os 40 anos. Com o avançar da idade, a frequência e severidade dos episódios diminui. Esta doença é comum nas comunidades Judaicas, Arménias, Turcas e Árabes e, graças às migrações, tem-se espalhado por outros países mediterrânicos como a Itália e a Grécia. Em raros casos, foi descrita em Japoneses.
A FMF é uma doença autossómica recessiva, resultante de mutações no gene MEFV (MEditerranean FeVer). O gene MEFV está localizado no braço curto do cromossoma 16 e codifica a síntese da proteína pirina/marenostrina. Esta proteína tem um papel importante na inflamação, já que regula a atividade dos leucócitos. A presença de moléculas bacterianas exógenas (como o lipopolissacárido) ou a ativação espontânea de citocinas inflamatórias (tais como IL-1α/β, TNF-α/β e IL-6), levam ao recrutamento e ativação de leucócitos, gerando um ambiente inflamatório que resulta nos sintomas da doença.

Sintomas da FMF. Imagem retirada de Living with Periodic Fevers
Os episódios da FMF resultam, por isso, do aumento esporádico de células e mediadores inflamatórios. Eles são caracterizados por períodos febris longos (12-72h) e recorrentes, associados a peritonite, sinovite, pleurite e, em casos raros, pericardite. Este episódios ocorrem em intervalos irregulares (de uma 1 semana a vários anos, em alguns casos) e resolvem-se espontaneamente. Embora difíceis de prever, existem fatores que predispõem ao despoletar destes episódios, incluindo a exposição ao frio, dieta rica em gorduras, exercício intenso, cirurgias, infeções, stress emocional e o ciclo menstrual.
O diagnóstico da FMF é feito pela avaliação dos sintomas, já que não existe um teste laboratorial específico. Também é de grande utilidade para o diagnóstico o historial familiar do doente e a exclusão de outras causas para os episódios de febre recorrentes.
No que diz respeito ao tratamento, a colchicina tem sido amplamente usada na diminuição da frequência e severidade dos episódios febris desde os anos 70. Este é um agente que inibe a divisão celular, interferindo com os microtúbulos durante a metafase. A colchicina também diminui a quimiotaxia de neutrófilos e monócitos, diminuindo assim, o infiltrado inflamatório em locais chave. Outros fármacos, como a talidomida, terapia com IFN-α, antagonistas da IL-1 e inibidores da recaptação da serotonina, também se mostraram eficazes no alívio dos sintomas em certos doentes
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FMF: Familial Mediterranean fever. Living with Periodic Fevers. (Consultado em 15-06-2015 em http://www.periodicfevers.com/thescience/fmf/)

