É nos confins da América do Sul que se encontram as aves da família dos piprídeos, sendo que vinte espécies desta família fazem música movimentando partes do corpo. São poucos os ornitólogos que estudam o macho de Machaeropterus deliciosus, que se destaca de todas as outras famílias pois é a única espécie que utiliza as suas penas para emitir som, com o objetivo final de encantar a fêmea.
Inicialmente os cientistas só sabiam que as asas deste macho emitiam som, não sabendo exatamente como acontecia este fenómeno. Com o intuito de desvendar este mistério, Kim Bostwick captou com uma câmara de vídeo, capaz de tirar mil fotografias por segundo, os movimentos deste macho. Foi através deste processo que se chegou à conclusão que o pássaro batia as asas, juntando-as, cento e sete vezes por segundo. Para além deste facto, Kim descobriu ainda, que em cada asa há uma pena especializada com sete cristas separadas, sendo que a quinta pena fricciona a pena encristada para atingir uma frequência de mil e quinhentos ciclos por segundo. O fantástico resultado é um som parecido ao de um violino, um som entre um fá sustenido e um sol.
A densidade dos ossos aparenta ser muito importante, pois apesar de a maior parte das aves ter os ossos das asas ocos, esta apresenta ossos maciços. Pensa-se que estes terão evoluído de modo a suportar o choque das penas. Resta agora saber como é que esta ave transporta o peso adicional quando voa.
Bibliografia:
Revista National Geographic Portugal nº 138
