O Animal em Destaque, mais uma vez, traz-vos outro convidado especial. É nada mais, nada menos que a Foca-monge-do-mediterrâneo (Monachus monachus), uma das espécies de foca que se encontra mais ameaçada actualmente, estando próxima da extinção. Enquanto a maior parte das focas vivem em habitats gelados, as focas-monge habitam águas mais quentes e temperadas. Esta família divide-se em três espécies: as Focas-monge-do-mediterrâneo (que vamos abordar), as Focas-monge-do-havaí e as focas-monge-das-caraíbas. Infelizmente, estas ultimas já estão extintas, enquanto as do mediterrâneo e as do havaí, estão em perigo de extinção.
Estas focas são muito vulneráveis a alterações climáticas, ou a graves acidentes, como derrames de crude, que é capaz de dizimar uma colónia. Actualmente, acredita-se que só haja 300-600 focas-monge-do-mediterrâneo e 1,300 a 1,400 focas-monge-do-havaí (números incrivelmente baixos).
Chamam-se de focas-monge, devido às pregas de pele, que fazem lembrar um capuz de um monge. E porque também são mamíferos solitários ou vistos em grupos pequenos. As focas-monge-do-mediterrâneo conseguem viver até os 45 anos de idade, e podem ter 2,4 m de comprimento e pesar entre os 240 a 400 kg. Podem ser encontradas em certas partes do Mar Mediterrâneo e nas águas do Oceano Atlântico Oriental, perto do Trópico de Câncer.
São animais diurnos que se alimentam principalmente de moluscos (polvos, lulas e enguias) e de uma grande variedade de peixe. Preferem caçar em fundos aquáticos abertos, de maneira a usar a velocidade para surpreender e apanhar as suas presas. Conseguem mesmo levantar bocados de rocha na sua procura por alimento. Enquanto caçam, fazem uso dos seus olhos e de bigodes sensíveis à mudança de pressão.
As focas-monge fêmeas são mães muito dedicadas, protegendo as suas crias durante as 5-6 primeiras semanas de vida, nunca as abandonando. Como não se alimentam durante este tempo, podem chegar a perder mais de uma centena de quilos. Devido ao facto, de terem números tão baixos de indivíduos, é muito raro encontrar estas espécies em actividades diárias, como caça ou mesmo progenitoras com os seus filhotes. Fazem abrigos em cavernas acessíveis só pelo mar.
A preservação da espécie decorre hoje em dia, com a criação de lugares de abrigo e protecção para a espécie, como por exemplo um parque marinho no Mar Egeu, na Grécia. É na Madeira, onde se encontra também um destes locais, nas Ilhas Desertas, que faz parte do Parque Natural da Madeira (Um Parque que inclui zonas e locais do Arquipélago, cuja função é a protecção da Fauna e Flora). A protecção das focas é levada a cabo por vigilantes da natureza que patrulham as ilhas de bote, e também através da monotorização e estudo da colónia e contacto directo com os pescadores locais.
Vamos esperar que o esforço conjunto dos parques naturais e associações, consiga aumentar as populações desta espécie. Mas só o tempo é que indicará os resultados.
E é tudo por hoje e espero que tenham gostado. Queria agradecer ao Francisco pela sugestão para este Animal em Destaque e que esteja do seu agrado. Já sabem, quem quiser fazer sugestões para o próximo Animal em Destaque, é só deixar nos comentários abaixo. E assim, voltamos para a semana.
Boas Férias!
Luís M. Tavares


