Um grupo de corvos foi estudado, ao longo de 5 anos, na região de Seattle nos Estados Unidos da América, e os resultados evidenciam que estas aves são capazes de lembrar a cara de seres humanos. Isto é, os corvos são capazes de lembrar e identificar seres humanos que possam ser uma ameaça para estas aves. Além disso, os investigadores perceberam ainda que os corvos são capazes de transmitir essa informação a outros indivíduos da mesma espécie, nomeadamente aos descendentes.

Como surge este estudo?
Este estudo publicado na revista científica “Proceedings of the Royal Society B” surge no seguimento de uma primeira observação da equipa do Professor John Marzluff, que afirma que sentia que os corvos eram capazes de os reconhecer no campus da Universidade.
Como foi realizada a experiência?
Esta experiência foi conduzida por dois investigadores, usando uma máscara “perigosa” idêntica (Figura 2), que aprisionaram, amarraram e soltaram entre 7 a 15 corvos em cinco locais diferentes na zona de Seattle.
Após as capturas, seguiram-se 5 anos de observação do comportamento destas aves quando as pessoas percorriam uma determinada rota que incluía o local da captura. Durante estes percursos, os observadores usavam uma mascara neutra ou uma máscara “perigosa”

Resultados
Duas semanas após a captura, os investigadores observaram que. em média, 26% da população de corvos apresentava um comportamento de perseguição e agitação quando viam indivíduos com as máscaras “perigosas”. Ao fim de 1 ano e 3 meses, esta percentagem subiu para os 30,4%. Ao fim de quase 3 anos, 66% da população de corvos já apresentava este comportamento agressivo perante indivíduos usando as máscaras “perigosas”. Este aumento foi verificado apenas para indivíduos que usavam máscaras “perigosas”, uma vez que, não houve qualquer alteração quando os observadores usavam máscaras neutras.
Além disso, o estudo mostrou ainda que os corvos são excelentes no que toca a identificar com precisão as faces das pessoas, uma vez que as restantes máscaras são semelhantes às “perigosas”, mas não culminaram em qualquer “ataque” por parte das aves.
Fonte: Cornell, H. N., Marzluff, J. M., & Pecoraro, S. (2011). Social learning spreads knowledge about dangerous humans among American crows. Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences, 279(1728), 499–508. https://doi.org/10.1098/rspb.2011.0957
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