Yooooooo Barbaritanos!
Era uma vez um bocadinho de pão que era pisado por toda a gente. Ninguém gostava dele, coitadinho. Primeiro, quem iria comer aquele hotel de micróbios? Segundo, todos eram demasiado grandes para se alimentar com uma minusculidade. O chocolate, brilhante, vestido de negro, com olhos brilhantes e bochechas suculentas passou pela mesma rua e o bocadinho de pão pediu para que lhe oferecesse qualquer coisa. Olhou-o de alto a baixo, notando a sujidade e o cheiro a bolor, e disse-lhe: “A única coisa que tenho para te oferecer é beleza: quando as pessoas olham para mim ficam felizes, comem-me e riem. Deixo-as muito bem-dispostas e redondinhas!”
E assim foi: o chocolate deu ao bocadinho de pão um pouco da sua beleza. Pouco depois, uma caixa de gelado viu-o e, tendo pena, deu-lhe alguma quantidade de açúcar, ficando o pãozinho bastante saboroso. E com isto ele já não estava o mesmo magro e escanzelado bolinho de sempre. Mas isto não ficou só por aqui. As nuvens ameaçaram os solos, ambos se zangaram, ouviram-se muitos gritos, berros, insultos, teimosias. A chuva começou então a cair. Uma das milhentas gotinhas que iam viajando pela atmosfera, uma dessas tantas que percorrem o mundo todo durante centenas de dias, uma delas ficou pendurada a uma folha da planta na qual o bocadinho de pão se tinha abrigado. Gentilmente, a gotinha falou com ele: “Pareces um pouco desidratado! Vais ter de me beber: isso será suficiente para a tua pele ficar fresquinha.”. E muito rapidamente, a gotinha infiltrou-se no pãozinho, que ganhara uma nova vida agora.
Entretanto a chuva parou e as pessoas voltaram a sair à rua. As gaivotas aproximaram-se da cidade e o bocadinho de pão ficou com muito medo de ser comido, agora que já estava tão lindo, nutrido e crescido. Elas já estavam à espreita, espertas, prontas a atacar. Ele correu, fugiu o máximo que pôde! Sem dar conta, caiu, navegou num longo canal por onde escorriam as gotinhas da chuva, e foi dar a uma cozinha. Ao não ver mais nada, abriu a porta do forno e escondeu-se lá dentro. O pãozinho não sabia que as gaivotas não conseguiam entrar dentro das casas das pessoas, mas estava assustado e cheio de medo e só isso o fazia pensar que podiam vir atrás dele na mesma. O forno dormia, sonolento, e sentindo aquela agitação toda, acordou. “Quem és tu?”
O pãozinho explicou-lhe demoradamente toda a sua história. Quem não demorou a chegar foi o calor, que deixou o bocadinho de pão estaladiço e o ajudou a crescer ainda mais! Finalmente, ele estava enorme, agradável e saboroso! Como um pãozinho tão sujo, cheio de bolor, pequenino e pronto a ser comido por um bando de gaivotas malvadas se torna em algo tão apetitoso? A verdade é que o bocadinho de pão ficou eternamente grato ao forno por tudo o que tinha feito por ele. Passaram-se longos tempos onde tudo corria maravilhosamente. Arranjou um trabalho no prédio de escritório do Sr. Biscate-Pedra, construiu uma casa perto do arbusto onde a pequena gotinha tinha ficado presa, e até conheceu a Menina-Rissol, de quem o pãozinho gostava muito e com quem passou a viver. Mas, como tudo, a dispensa também fica vazia, mais vezes do que é realmente suposto ela ficar, e o pãozinho teve de ir às compras.
No caminho, viu algo que ele parecia reconhecer. Viu um bocadinho do chocolate que outrora lhe tinha dado a beleza. Comovido, o bocadinho de pão deu-lhe um pouco da sua consistência, para que todos os bocadinhos do chocolate se voltassem a juntar. E assim foi. O chocolate ficou completo e apetitoso como sempre foi e como continuará a ser!
Moral da história: primeiro: as coisas não vão acontecer com a rapidez que queres que elas aconteçam! Elas surgirão à medida que vais conquistando pequeninas coisas: e vão ser estas coisas minúsculas que te irão levar longe, mais longe que o rasto do Sol. Luta, luta sempre e nunca desistas! Segundo, não negues ajuda a ninguém: se não puderes fazer muito, faz um pouco, dá um bocadinho, mas dá! As necessidades não se medem com fita métrica e não está estampado na cara das pessoas. Por isso, se vires uma mão que pede, apronta a tua mão que dá.
Continuação de bom estudo, Barbaritanos!
