Hoje no Espaço Saúde vou abordar a intoxicação por aspirina que corre mais frequentemente do que aquilo que nós pensamos. Cientificamente, aspirina é conhecida como ácido acetilsalicílico, sendo que a intoxicação causa vómitos, confusão, zumbido, hipertermia, alcalose respiratória, acidose metabólica e insuficiência multiorgânica. A ingestão aguda de uma quantidade superior a 150mg/kg de peso corporal por desencadear uma grave toxicidade e, se os comprimidos tiverem salicilatos, estes podem formar bezoares, o que prolonga a absorção e toxicidade. Sobre a toxicidade crónica, esta é mais habitual em idosos e pode ocorrer após vários dias ou mais após a exposição a elevadas doses terapêuticas, frequentemente não diagnosticada e mais grave que a toxicidade aguda.
Qual o processo que ocorre na intoxicação?
O que se verifica durante o processo de intoxicação por ácido acetilsalicílico é uma redução da respiração celular pela separação da fosforilação oxidativa, estimulam os centro respiratórios na medula produzindo alcalose respiratória primária. A intoxicação simultânea por salicatos causa acidose metabólica primária. Quando estes desaparecem do sangue, entram nas células e intoxicam as mitocôndrias o que se desencadeia uma anormalidade acidobásica primária pelo desenvolver de acidose metabólica.
Este tipo de intoxicação desencadeia cetose, febre e níveis baixos de dextrose no cérebro, mesmo quando hipoglicemia sistémica ausente. Associado, pode estar presente desidratação decorrente da perda renal de sódio, potássio e água e aumento de água pela respiração por hiperventilação. Por serem ácidos fracos, os salicilatos atravessam as membranas celular com facilidade e tornam-se mais tóxicos quando o pH do sangue é mais baixo. Tanto a desidratação, como a hipertermia e ingestão crónica aumentam a toxicidade dos salicilatos porque aumentam a sua distribuição pelos tecidos e o seu oH na urina estará tendenciosamente elevado.
Sintomatologia
Superdosagem aguda:
Sintomas iniciais
- Náuseas, vómitos, zumbidos e hiperventilação.
Sintomas tardios
- Febre, hiperatividade, confusão mental e convulsões. Eventualmente, também se desenvolvem rabdomiólise e insuficiências respiratória e renal aguda. A hiperatividade pode rapidamente evoluir para letargia; alterações da hiperventilação (como alcalose respiratória) modificam-se para hipoventilação (com acidoses respiratória e metabólica) e insuficiência respiratória.
Superdosagem crónica:
Tendem a ser inespecíficos e muito variáveis e podem sugerir sepse
- Estes incluem confusão mental súbita, alterações no estado mental, febre, hipóxia, edema pulmonar não cardiogénico, desidratação, acidose láctica e hipotensão
Como é feito o diagnóstico?
Para realizar o diagnóstico é importante avaliar os níveis de salicilato sérico e realizar uma gasometria arterial (GA).
Suspeita-se de intoxicação por salicilatos em pacientes com história de:
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História de uma única superdosagem aguda
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Ingestões repetidas de doses terapêuticas
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Acidose metabólica inexplicável
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Febre e confusão mental inexplicável normalmente em pacientes idosos
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Outros resultados compatíveis com sepse (febre, hipóxia, edema pulmonar não cardiogénico, desidratação, hipotensão)
Os níveis séricos são úteis para confirmar o diagnóstico e podem ajudar na terapia, mas os níveis podem estar errados e devem estar clinicamente correlacionados.
Na realização da gasometria arterial, esta mostra alcalose primária respiratória durante as primeiras horas após a ingestão; mais tardiamente, mostra acidose metabólica compensada ou mistura de acidose metabólica/alcalose respiratória. Eventualmente, quando os níveis de salicilados diminuem, o primeiro achado é a acidose metabólica pouco compensada ou não compensada. Se ocorrer falência respiratória, a gasometria arterial sugerirá a combinação de acidose metabólica e respiratória. A glicemia pode ser normal, baixa ou elevada.
Como é realizado o tratamento?
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Carvão ativado
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Diurese alcalina com cloreto de potássio

