Durante várias décadas, milhões de crianças viram as suas amígdalas e adenóides removidos por meio de cirurgia. Estas duas estruturas linfáticas são a primeira linha de resposta imune contra patogénicos que entram nas vias respiratórias. Porém, as amígdalas e os adenóides podem ficar cronicamente inflamados nos primeiros anos de vida.
Como forma de cortar o mal pela raíz, muitos médicos optam por remover as amígdalas e/ou adenóides das crianças com inflamações recorrentes. Acreditava-se que a sua ausência não teria qualquer impacto significativo na vida adulta. No entanto, um estudo recente publicado na JAMA Otolaryngology Head Neck Surgery sugere que esta prática pode ter consequência no futuro dessas crianças.
O estudo analisou uma população de aproximadamente 1.2 milhões de indivíduos que foram seguidos desde o nascimento até aos 10 anos de idade. Em alguns casos, o seguimento foi mesmo até aos 30 anos de idade.
Os indivíduos foram classificados em dois grupos distintos:
- indivíduos a quem não foram removidas as amígdalas ou adenóides (controlo);
- indivíduos a quem foram removidas as amígdalas ou adenóides antes dos 9 anos de idade.

Os resultados mostraram que os indivíduos sujeitos a amigdalectomia estão 3 vezes mais predispostos a alergias e infeções do trato respiratório superior, incluindo asma, influenza e pneumonia. No caso de adenoidectomia, o risco de incidência destas doenças aumenta em 2 vezes, assim como a doença pulmonar obstrutiva crónica e a conjuntivite.
Além dos riscos aumentados a longo prazo, as inflamações que ditam a remoção destes tecidos tendem a surgir logo após a cirurgia. Estes dados sugerem que o efeito desta intervenção a curto prazo é muito pequeno e pode não compensar os riscos a longo prazo.
Esta foi a primeira vez que o impacto das amigdalectomia e adenoidectomia foi avaliado e, face ao número de indivíduos analisados, as conclusões assumem uma relevância ainda maior. De acordo com os autores, dever-se-á evitar esta cirurgia a todo o custo, principalmente enquanto existirem tratamentos alternativos disponíveis. Parece também que as amígdalas e os adenóides são essenciais para o desenvolvimento do sistema imunitário durante a infância.
Fonte: IFLScience

