Existem vários tecidos e roupas que nos permitem manter a temperatura corporal e minimizar as perdas de calor em climas mais frios. Porém, o contrário é bem mais complexo, ou seja, não há propriamente roupa que permita diminuir a temperatura corporal.
Atualmente, a alternativa mais usada é recorrer a tecidos com cores claras para maximizar a reflexão da radiação visível. Porém, existem outras radiações responsáveis pelo aumento da temperatura, como as radiações ultravioletas e infravermelhos-próximos.
As radiações infravermelhas-próximas são responsáveis pelo aquecimentos dos objetos. No entanto, objetos a uma certa temperatura tendem a perder energia através da emissão de infravermelhos. Apesar disso levar ao arrefecimento dos corpos emissores, esta radiação é rapidamente absorvida pelas moléculas de água em redor, aumentando a sua temperatura. Este processo acaba por comprometer o arrefecimento por emissão deste tipo de radiação.
Os investigadores estão agora a usar infravermelhos de maior comprimento de onda para promover o arrefecimentos desses objetos, sem causar o aquecimento das redondezas. Esta radiação de maior comprimento de onda não é absorvida pelo maior envolvente e não compromete, portanto, o arrefecimento dos objetos. De facto, esta tecnologia tem sido aproveitada, na última década, para o desenvolvimento de telhados, tintas ultra-brancas e filmes plásticos.
Uma vez que também a nossa pele emite infravermelhos nesta gama de comprimentos de onda, os investigadores procuraram desenvolver tecidos que sejam transparentes a esta radiação. Desta forma, o corpo poderia perder energia ao emitir esta radiação e diminuir a sua temperatura em cerca de 3 °C. O problema é que este novo tecido tem de ser muito fino, apenas 45 µm. Por isso mesmo, os cientistas questionaram imediatamente a sua durabilidade.
A investigação continuou até que se chegou a uma abordagem totalmente diferente. Em vez do tecido ser transparente à radiação emitida pelo corpo, este novo material absorve a radiação emitida pelo corpo humano e re-emite-a para o espaço. Este material significativamente mais grosso, com 550 µm, apresenta maior robustez. Apesar de parecer um t-shirt convencional, estamos perante um “espelho” ótico.
Os investigadores foram ainda capazes de testar este novo material numa T-shirt. Um indivíduo usou a T-shirt híbrida, onde metade do tecido era algodão branco e a outra metade era feita à base deste novo material. Depois de 1 hora ao sol, foi possível observar uma diferença na temperatura da pele de quase 5 °C, onde a pele debaixo do novo tecido estava significativamente mais fria.

Os investigadores estão agora a trabalhar junto de fábricas de produção de roupa para expandir a produção e permitir que qualquer pessoas possa usar esta nova tecnologia de tecido refrescante.
Fonte: Science
