Em seguimento do tema da semana passada venho-vos uma vez mais falar de mapas. Tal como referido no último artigo o mapa com a projecção do tipo Mercator apresenta o problema de distorcer a forma das extensões terrestres à medida que nos aproximamos dos pólos.
Quando falamos de projeções há quatro propriedades que os cartógrafos têm de ter em conta ao construir um mapa: área, forma, distância, e direcções. Contudo é praticamente impossível criar uma projecção sem compromissos, pelo que há diferentes mapas com diferentes propósitos.
De modo a tentar criar um mapa o menos distorcido possível, uma equipa de investigadores da Universidade de Princeton, nos EUA, desenharam um novo mapa radicalmente diferente de todos os outros. Até então o mapa com melhor pontuação (4.563) era o Winkel Tripel, muitas vezes reconhecido por ser o mapa de escolha da National Geographic para representação da Terra.
O que o novo mapa tem de tão diferente é o facto de ter duas faces, o primeiro a fazê-lo. O mapa tem uma forma circular e possui o hemisfério Norte numa face e o hemisfério Sul na outra, sendo que o limite exterior do mapa é o equador. Desta forma os investigadores conseguiram criar um mapa com uma pontuação de 0.881, sendo portanto o mapa do planeta Terra mais preciso até ao momento.
Contudo os investigadores não ficaram por aqui e sugeriram também a utilização desta nova projecção para outros corpos do sistema solar, como a Lua, Vénus, Marte, Júpiter, Saturno e até mesmo o Sol.

Representação de vários corpos do Sistema Solar utilizando a nova projecção. A. Lua (esquerda, face visível; direita, face oculta), B. Marte, C. Júpiter e D. Saturno (esquerda, pólo norte; direita, pólo sul). Imagem adaptado do artigo original.
Todas estas imagens entre outras podem ser encontradas no artigo publicado na plataforma arXiv.



