Como já aconteceu na publicação da semana passada, hoje voltamos novamente a falar sobre um planta e suas evidências clínicas, a valeriana (Valeriana officinalis) é uma planta particularmente importante na Europa, em que são utilizadas as raíz e rizomas – caules subterrâneos – como sedativo e auxiliador do sono, por intermédio dos seus princípios ativos, incluindo valepotriatos e óleos odoríficos aí presentes. Existem também evidências da utilização desta planta no combate às dores de cabeça, depressão, batimentos cardíacos irregulares e tremores. Normalmente, a indicação de administração é indicada por curtos períodos de tempo, por exemplo, de 2 a 6 semanas, em doses de 400 a 600 mg da raíz seca uma vez ao dia, cerca de 1 hora antes de dormir.
Principais evidências
Foram feitos já vários estudos que se debruçaram nos efeitos e importância desta planta, e foi possível confirmar em alguns deles que a valeriana pode mesmo melhorar a qualidade de sono e reduzir o tempo necessário para adormecer sem produzir efeitos secundários no organismo. Para além disso, também já foi possível constatar em outros estudos mais recentes uma correlação entre a toma de valeriana e a melhoria na qualidade do sono de melhores que sofrem de insónias na menopausa.
Em contrapartida, ainda não foi possível justificar se existe ou não relação positiva no combate a cefaleias, depressão, arritmia cardíaca ou tremores.
Efeitos adversos
Como em tudo, existem sempre efeitos adversos associados, não sendo recomendado a administração a gestantes ou nutrizes, para além de que pode prolongar os efeitos de outros sedativos e influenciar a habilidade para conduzir ou exercer atividades que exijam mais concentração/atenção.
Interações medicamentosas
Estudos sugeriram que a valeriana pode inibir o metabolismo CYO3A4 e a atividade da glicoproteína P, pode prolongar o efeitos de outros sedativos, influenciar a capacidade de conduzir e/ou exercer exercícios que requeiram maior atenção (como já foi mencionado no tópico anterior).
SebastiánFernández, CristinaWasowski, Alejandro CPaladini, MarielMarder, (2004). Sedative and sleep-enhancing properties of linarin, a flavonoid-isolated from Valeriana officinalis. Pharmacology Biochemistry and Behavior, Vol. 77, 2, 399-404. Avaible from: https://doi.org/10.1016/j.pbb.2003.12.003.
Peter D. Leathwood, Francoise Chauffards, Eva Heck e Raphael Munoz-Box, (1981). Aqueous Extract of Valerian Roe’ Valeriana 0fJicinaEis L. ) Improves Sleep Quality in Man. Pharmncoiogy Biochemistry & Behavior, Vol. 17, 65-71.

