E que nos traz hoje pelo espaço saúde? Hoje o tema recai sobre a encefalopatia de Wernicke que resulta má da ingestão ou absorção de tiamina associada à grande ingestão de hidratos de carbono, de onde fazem parte o arroz, as massas e o pão. Comumente temos a ingestão excessiva de álcool que interfere drasticamente com a absorção da tiamina, essencialmente, ao nível do trato gastrointestinal e no armazenamento desta no fígado. Consequentemente, o alcoolismo associado a uma deficiente alimentação proporcionam em grande escala um consumo inadequado de tiamina desencadeando uma diminuição no organismo.
Sendo esta a causa principal, podemos apresentar outras secundárias. Ou seja, esta patologia pode também ela resultar associada a outras doenças que causem desnutrição ou défices vitamínicos. Como já referido, o excesso de hidratos de carbono em pacientes com défice de tiamina podem desencadear encefalopatia de Wernicke.
Adicionalmente às causas já mencionadas que podem ser responsáveis por desencadear esta patologia, podemos ainda mencionar outras, tais como alterações genéticas que resultem em forma defeituosa de transcetolase, que é uma enzima que processa a tiamina.
Tipicamente, as lesões do sistema nervoso central estão amplamente distribuídas, em torno do 3º ventrículo, aqueduto e 4º ventrículo. Alterações em corpos mamilares, tálamo dorsomedial, locus ceruleus, matéria cinzenta periaquedutal, núcleos oculares motores e núcleos vestibulares.
Sintomatologia
Já entendemos um pouco do que é a encefalopatia de Wernicke e de que maneira é que ela surge, agora importa perceber de que forma é que ela se manifesta no organismo e, assim como a podemos identificar. Normalmente, verificam-se mudanças clínicas repentinas, que se caracterizam essencialmente por:
- Anormalidades oculomotoras, incluindo nistagmo horizontal e vertical e oftalmoplegia parcial;
- As pupilas também podem tornar-se anormais surgindo-se alentecidas ou desiguais.
Outros sintomas também podem ser identificados, embora que menos comuns, tais como:
- Disfunção vestibular sem que ocorra perda de audição;
- Comprometimento do reflexo oculovestibular;
- Marcha atáxica com base alargada e passos curtos;
- Disfunção cerebelar e/ou polineuropatia;
- Confusão generalizada – desorientação, indiferença, desatenção, sonolência;
- Limiar da dor nevrálgica periférica aumentado;
- Disfunção autónoma grave – hiperatividade simpática ou hipoatividade.
Como pode ser feito o diagnóstico?
É necessário recorrer a um profissional médico para que este possa realizar uma avaliação clínica adequada podendo chegar ao correto diagnóstico. Efetivamente, para esta patologia, não existem estudos diagnósticos muito específicos, basicamente passa depende do reconhecimento de presença de desnutrição ou défice de vitaminas.
No líquor não é possível encontrar alterações, no entanto, é importante realizar diversos exames laboratoriais, testes sanguíneos para se poder excluir outras patologias. A principal questão é que na rotina clínica habitual não é costume dosear a tiamina porque nem sempre traduzem os níveis da mesma existentes no líquor e apesar de se poderem ter níveis séricos de tiamina normais, não excluir o diagnóstico de encefalopatia de Wernicke.
Como podemos tratar?
O tratamento da encefalopatia de Wernicke basicamente consiste na terapia de reposição com tiamina e magnésio por via parenteral. Acopladamente é necessário fazer um tratamento de suporte com reidratação, correção de anormalidade eletrolíticas e terapia nutricional em geral, incluindo multivitamínicos. Os pacientes com doença avançada necessitam de ser hospitalizados para estabilização do seu estado de saúde. A interrupção do alcoolismo também se torna obrigatória, se for esse o caso.

