Arsénio. Conhecido pelo símbolo As, o arsénio é um elemento químico que existe na natureza na forma orgânica ou inorgânica. É extremamente tóxico, especialmente na forma inorgânica, razão pela qual era utilizado (no composto trióxido de arsénio) como veneno. Crê-se que tenha sido este o veneno utilizado na morte de vários reis e imperadores ao longo da História. Os efeitos secundários causados pela sua ingestão variam desde vómitos e diarreia a fortes dores de cabeça ou mesmo a morte, que pode ocorrer em um a dois dias.
Assim sendo a exposição crónica ao arsénio (inorgânico) é uma questão de especial preocupação, tendo sido associada com a ocorrência de cancro do pulmão e da bexiga. Sabe-se que um dos alimentos mais ricos em arsénio, devido à forma como este é cultivado, é o arroz.
E como é que o arsénio está presente no arroz? Bem… O arsénio está muitas vezes presente na água onde o arroz cresce. Uma vez que o arroz é uma planta que cresce em terrenos alagados, esta absorve quase tudo o que possa estar presente nessa água. E como é que o arsénio chega à água em primeiro lugar? Ora aí está uma ótima questão! Este pode provir de diferentes fontes: pode ter origem geogénica, ou seja, resultante de processos geológicos que ocorrem naturalmente; pode provir de alguns pesticidas à base de arsénio que ainda se usam principalmente em países subdesenvolvidos; e pode ainda provir da poluição industrial, especialmente da queima do carvão.
Globalmente este problema varia consideravelmente de local para local, sendo uma área de grande preocupação, por exemplo, o Bangladesh.
Que cuidados devemos ter então quanto ao consumo de arroz?
Comes arroz em todas as refeições? Não? Então há questões mais proeminentes com que te deves preocupar, como por exemplo o consumo excessivo de carnes vermelhas e processados. Contudo há sempre forma de reduzir a sua concentração, basta alterar o modo como o cozinhas. De acordo com o Professor Andrew Meharg do Queen’s College Belfast, especialista em contaminantes agroalimentares, o melhor método passa por cozinhar o arroz como cozinhamos a massa. Ou seja, devemos colocar o arroz numa grande panela de água a ferver, adicionar sal q.b. e no fim coar toda essa água onde se concentrará a maior parte do arsénio. Se para além deste método demolharmos ainda o arroz ao longo de toda a noite antes de o cozinhar, estaremos a reduzir a quantidade de arsénio presente em 80%. Atenção que a simples lavagem do arroz não se demonstrou muito eficaz na remoção de arsénio.
Ok, então se não é assim tão perigoso para mim porque razão me devo preocupar? Como já referido a preocupação com a exposição crónica ao arsénio varia com a quantidade de arroz ingerido. Em algumas regiões do mundo o consumo de arroz é essencial na sua alimentação, podendo aí os níveis de arsénio serem já consideráveis. Outra questão a ter em atenção é no caso das crianças, especialmente bebés. Um dos primeiros alimentos sólidos que eles consomem é maioritariamente arroz em pó. Porquê? Porque não tem um sabor intenso e é naturalmente isento de glúten. Por esta razão os bebés podem estar a consumir 3 vezes mais arroz por kg de massa corporal que os adultos. Ou seja, estão 3 vezes mais expostos ao arsénio nele presente. Para além dos problemas já mencionados, há evidência de que o arsénio pode também ser neurotóxico para as crianças levando à ocorrência de problemas de aprendizagem.
Concluindo, se tens uma dieta variada e arroz não é a tua única fontes de hidratos de carbono não tens de te preocupar. Contudo, no caso das crianças é importante variar o tipo de cereal que elas consomem. Uma boa alternativa são papas à base de aveia, sendo que esta também é isenta de glúten.
Fun fact
A única coisa em que o arroz branco é melhor que o arroz integral é no facto deste possuir menores quantidades de arsénio. Isto acontece pois o arsénio tende-se a concentrar na camada exterior do arroz que é removida para se obter arroz branco.
Fontes
Rice has arsenic in it — don’t freak out, here’s the science
Professor Andrew Meharg – Reducing Arsenic in Rice
Is Rice Actually Dangerous for You? | Earth Lab
Crédito da Imagem de destaque:
Food Safety News

