O alcaçuz preto trata-se de um doce, aparentemente inocente, proveniente da raiz de uma planta. Porém, este doce apresenta também efeitos secundários adversos, como os que conduziram à morte um homem de 54 anos.
A 23 de setembro deste ano, um homem de Massachussetts faleceu depois de ter ingerido aproximadamente um pacote e meio de alcaçuz preto por dia, durante três semanas.
Apesar de parecer estranho, é um relembrar a famosa frase do “Pai da Toxicologia”, o médico suíço Pracelso:
Todas as substâncias são venenos, não existe nada que não seja veneno. Somente a dose correta diferencia o veneno do remédio.
Parecelso
Infelizmente, este não é caso único e existem vários casos documentados. Várias pessoas já passaram por crises de hipertensão, colapso muscular ou mesmo a morte, depois de terem ingerido quantidades generosas de alcaçuz. Estes casos são mais frequentes em indivíduos com mais de 40 anos e que ingerem alcaçus preto por longos períodos de tempo e em quantidades acima da média.

O Alcaçuz Preto
O alcaçuz é uma planta com flor nativa de algumas regiões da Europa e da Ásia. O extrato aromático e doce da sua raiz é usado, há muito tempo, como um remédio numa ampla variedade de doenças, como azia e problemas estomacais, dores de garganta e tosse. No entanto, não há evidências suficientes para apoiar que o alcaçuz seja eficaz no tratamento de qualquer uma destas condições médicas.
A glicirrizina (também chamada de ácido glicirrízico) é a substância química do alcaçuz que confere o sabor e a doçura característica do alcaçuz. No entanto, é tamabém responsável pelos seus efeitos adversos.
A glicirrizina é um mimético da aldosterona, uma hormona produzida pelas nossas glândulas suprarenais quando o corpo precisa reter sódio e excretar potássio. O excesso de glicirrizina perturba o equilíbrio desses eletrólitos, podendo elevar pressão arterial e perturbar o ritmo cardíaco. Outros sintomas da ingestão excessiva de alcaçuz incluem inchaço, dores musculares, dormência e dor de cabeça.
Neste último caso de morte por consumo de alcaçuz preto, o indivíduo apresentava níveis perigosamente baixos de potássio, corroborando a tese de intoxicação por glicirrizina.
A glicirrizina é 50 vezes mais doce que o açúcar e tem sido usada em vários tipos de doces, refrigerantes, chás, cervejas belgas, pastilhas para a garganta e tabaco. Isso pode dificultar o controle da quantidade de glicirrizina consumida, e uma combinação desses produtos pode desencadear efeitos adversos.
Estes efeitos adversos podem ser exacerbados em pessoas que também ingerem suplementos dietéticos que contêm alcaçuz. Além disso, alguns medicamentos, como diuréticos, tendem a reduzir os níveis de potássio. O efeito sinérgico do alcaçuz pode culminar em cãibras e ritmo cardíacos irregulares.
O que fazer?
Se gosta de alcaçuz, não tem de o retirar completamente da sua dieta. No entanto, deverá ter atenção à sua ingestão em excesso. De acordo com as advertência da FDA, as pessoas devem evitar o consumo de mais de 60 gramas de alcaçuz preto por dia durante duas ou mais semanas.
Existem ainda estudos científicos que alertam contra o consumo diário de alcaçuz preto. De acordo com as evidências, os possíveis efeitos benéficos do seu consumo são muito inferiores quando comparados com os resultados adversos do seu consumo continuado.
Fonte: IFLScience

