Habitualmente o ser humano é capaz de percecionar até um milhão de cores e tons diferentes. Essa capacidade deve-se a um tipo de células presentes no nosso olho denominadas cone, existindo três tipos diferentes dessas células, as L, as M e as S, consoante o comprimento de onda ao qual são sensíveis. É através da combinação dos sinais enviados para o cérebro por estas células que somos capazes de percecionar a sensação a que chamamos de cor.
A maioria da população é tricromata, o que significa que possui estes três tipos de cones. Sendo que cada cone é capaz de distinguir aproximadamente cem tons diferentes, a combinação dos tons recebidos pelos três cones permite uma combinação de até um milhão de tons diferentes. Quando um indivíduo possui apenas dois tipos de cones activos é denominado dicromata, situação que ocorre nos indivíduos daltónicos, sendo estes capazes de percecionar apenas 10 000 cores diferentes. A maioria dos mamíferos são dicromatas.
Existem, contudo, indivíduos que possuem quatro tipos de cones, sendo capazes de experienciar uma gama de cores superiores ao resto – os tetracromatas. Estes são capazes de distinguir até cem milhões de cores diferentes, cores invisíveis para o resto da população. Contudo, como a perceção da cor é uma experiência pessoal, não há forma de saber como será a sua visão e quão diferente é daquilo que se consideravam ser os limites da visão humana.
Durante décadas, a neurocientista da Universidade de Newcastle, Gabriele Jordan procurou por pessoas com estas características. Em 2010 Jordan finalmente encontrou alguém. Mencionada na literatura como cDa29, esta médica residente no norte da Inglaterra é a primeira tetracromata conhecida pela ciência.
Em 2007, Jordan recorreu a um método de forma a procurar por tetracromatas. Este consistia em pedir a um grupo de pessoas para observar e diferenciar três círculos coloridos. Para um tricromata esses discos seriam idênticos, mas para um tetracromata haveria um que se diferenciaria. Isso devia-se ao facto de um desses discos não ter uma cor pura, mas sim uma mistura subtil de verde e vermelho, diferença apenas discernível devido à capacidade dos tetracromatas de distinguir mais tons.
Sabe-se atualmente que existem outro tipo de pessoas com quatro cones sem que, no entanto, sejam capazes de diferenciar todos estes novos tons. Não se sabe bem porquê, mas pensa-se que seja necessário estimular o cérebro dessas pessoas de forma a identificar essas novas cores, algo que não acontece num mundo colorido por tricromatas.
Fontes:
Gabriele Jordan, Samir S. Deeb, Jenny M. Bosten, J. D. Mollon; The dimensionality of color vision in carriers of anomalous trichromacy. Journal of Vision 2010;10(8):12. doi: 10.1167/10.8.12.


