O lobisomem é um ser lendário, com origem em tradições europeias, segundo as quais um homem se pode transformar em lobo nas noites de lua cheia, só voltando à forma humana novamente quando o galo cantar, na manhã seguinte.
Tais lendas são muito antigas e derivam da mitologia grega, que relata histórias como as de Licaão ou de Damarco de Parrásia. Porém estas são principalmente originárias da cultura da Europa Oriental, da cultura dos povos eslavos. Segundo essa cultura o primeiro grande licantropo era um Grão-duque de Podgorica, atual capital de Montenegro. Esse Grão-duque era Victor Kruschev II, segundo as lendas ele foi convocado para lutar do lado do Império Sérvio contra a opressão Austro-Húngara, em troca da autonomia da sua região.
Com ele e o seu exército – grandes guerreiros que se aproveitavam do relevo montanhoso e que realizavam os seus ataques principalmente durante a noite – nasceram as primeiras lendas de licantropos.
Também em redor de Victor nasceu uma lenda de que nas noites de lua cheia ele retirava a sua armadura para lutar, transformando-se num lobo de grandes proporções, com poderes sobrenaturais. As lendas licantrópicas foram vastamente difundidas pelo Império Austro-Húngaro, pois este via que essas lendas criavam esperanças de libertação para as tribos eslavas, as quais o Império dominava, porém sem sucesso.
O mito do Homem-Lobo regista-se desde a Idade Média até nossos dias.
Na Idade Média cometia-se uma grande quantidade de crimes sádicos e sexuais que sempre terminavam por ser atribuídos a seres sobrenaturais, devido à superstição e ao medo das gentes.
Alguns trabalhos curiosos comparam esses delitos sobrenaturais antigos com os crimes sexuais seriais executados por criminais contemporâneos, identificando as violações e os assassinatos atribuídos aos temidos homens-lobo com as barbaridades levadas a cabo pelos assassinos de hoje.
Em psiquiatria, a Licantropia aparece como uma doença mental com tendência canibal, onde o doente imagina ter-se transformado em lobo e, inclusive, imitar os seus uivos. Em alguns casos graves esses pacientes se negam a comer outro alimento que não seja carne crua e sanguinolenta.
Estes transtornos, normalmente diagnosticados como severas psicoses, apresentam concomitantemente um alto grau de histerismo, acompanhado de ideias delirantes e de total mudança de pessoalidade.
Antigamente, sendo as psicoses de difícil tratamento, proliferavam psicóticos esquizofrênicos e outros doentes mentais, como os sádicos, necrófilos e psicopatas em geral, os quais ocorriam à licantropia como via de saída para seus delírios ou seus instintos mórbidos.
Estes doentes inspiravam-se, como ainda hoje, nass personagens da cultura e do folclore para solidificar a crença em poder transformar-se em lobo, e que, nas noites de lua cheia. Possuídos por tais delírios, os doentes vagavam pelas ruas assediando as suas vítimas, atacando, mordendo e, em algumas ocasiões, esquartejando e comendo partes do seu corpo.
Hoje em dia a medicina conhece outros tipos de doenças que poderiam explicar parte do mito da Licantropia, como por exemplo a Porfiria Congénita, doença que se caracteriza por problemas cutâneos, foto-sensibilidade e depósitos de porfirina, um pigmento dos glóbulos vermelhos que escurece os dentes e a urina, dando a impressão que o paciente bebera sangue.
Outras doenças, como por exemplo a Hipertricose ou o Hirsutismo (as quais provocam o crescimento exagerado de pelos por todo o corpo, incluindo a face) eram interpretadas, antigamente, como qualidades sobrenaturais onde os pacientes se podiam converter em bestas.
A natureza genética das porfirias, juntamente com alguns costumes endogâmicos (casamento entre membros de uma mesma família) em alguns grupos étnicos da Europa Oriental e entre a nobreza européia em geral, poderia ter desencadeado a doença em pessoas geneticamente ligadas. Pode vir daí a lenda da maldição familiar dos Lobisomens e/ou de ser Lobisomem o sexto ou sétimo filho do casal ou coisas assim.
Adaptado de:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Licantropia
http://www.psiqweb.med.br/site/?area=NO/LerNoticia&idNoticia=134
