Numa altura em que se apela ao distanciamento social entre humanos, o Dr. Simon Ripperger da Universidade de Ohio divulga os resultados de um trabalho onde foi avaliado o comportamento dos morcegos-vampiro.
Desde o final de 2019, que vivemos numa situação de pandemia causada pelo vírus SARS-CoV-2 que foi transmitido dos morcegos para os humanos. Os estudos apontam os morcegos como “reservatórios” de vários vírus. O sofisticado sistema imune dos morcegos permite-lhes carregar vários virus sem que sejam seriamente afetados pela doença.

O distanciamento social dos morcegos
Esta recente descoberta vem agora mostrar que os morcegos também adotam medidas de distanciamento social para proteger a comunidade. Os investigadores observaram que os morcegos, em cativeiro, mantêm-se distantes dos demais quando se sentem doentes.
O estudo foi conduzido sem que os morcegos tenham sido infetados. Ao invés, os investigadores injectaram um lipopolissacarídeo que ativa o sistema imune de forma análoga a muitas doenças. No fundo, esta administração permite que alguns dos morcegos se sentissem doentes durante um determinado período de tempo. Os animais controlo foram injetados com uma solução salina.
Todos os animais foram monitorizados através de sensores de localização que rastrearam os seus movimentos ao longo do período da experiência.
Todos os morcegos administrados com o lipopolissacarídeo isolaram-se dos restantes e tiveram menos 4 contactos próximos que os respetivos saudáveis, num período de 6 horas.
Quando o efeito do lipopolissacarídeo desapareceu, os vampiros afetados retomaram, lentamente, os seus padrões de interação com o resto da comunidade.
O autores evidenciam ainda que os morcegos, quando se sentem doentes, não criam uma zona de quarentena. Os morcegos isolam-se sozinhos de forma a minimizar o possível risco de transmissão da doença.
Este comportamento de certo beneficia a comunidade, mas não necessariamente o morcego doente.
Fonte: IFLScience

