Como se caracteriza afinal o vírus COVID-19?
- Vírus envelopados de RNA, caracterizados pela presença de espículas de proteína na superfície, as quais, sob microscopia eletrónica, parecem a coroa do sol (ver Figura 1).
- Numerosos coronavírus, primeiramente descobertos em aves domésticas na década de 1930, causam doenças respiratórias, gastrointestinais, hepáticas e neurológicas em animais.

Figura 1 – Observação do coronavírus ao microscópio ótico.
Infecção pelo coronavírus humano
- Apenas sete coronavírus causam doença em humanos.
- Quatro desses sete coronavírus humano (HCoV‑NL63, ‑229E, ‑OC43 e ‑HKU1) causam infecções leves e autolimitadas do trato respiratório superior, como o resfriado comum ou infeções graves do trato respiratório inferior, incluindo pneumonia, em bebés, idosos e indivíduos imunocomprometidos.
- Essas infecções pelo coronavírus humano mostram um padrão sazonal, ocorrendo a maioria dos casos nos meses de inverno retomando a periodicidade todos os anos.
- Três dos sete vírus (SARS‑CoV, MERS‑CoV e SARS‑CoV2) causaram surtos importantes de pneumonia letal importantes a relatar.
- O SARS-CoV e o MERS-CoV já foram abordados anteriormente num artigo.
- Hoje vamos debruçar-nos apenas no SARS-CoV2 ou COVID-19!
SARS-CoV2 ou COVID-19
O sétimo coronavírus humano a ser descoberto foi o SARS-CoV2, a causa do surto, chamado COVID-19 que está, atualmente, a disseminar-se de forma avassaladora por todo o mundo.
Ao que se sabe este surto começou na cidade de Wuhan com mais de 11 milhões de habitantes, na província de Hubei, na China Central.
Qual a origem do surto?
Acredita-se que a infecção tenha surgido a partir dos morcegos e que tenha ocorrido a transmissão para seres humanos num mercado de frutos do mar e animais vivos na cidade, por meio de um hospedeiro intermediário (considerado o pangolim, um mamífero escamoso, comedor de formigas) que estava sendo vendido como alimento exótico no mercado.
Dos casos iniciais, 55% foram ligados a esse mercado, já os casos subsequentes provavelmente adquiriram a infecção por intermédio de contacto com outros casos humanos. O período de incubação para 95% dos casos foi relatado como ≤14 dias, daí ter sido decretado um período de quarentena de 14 dias.
Após nove semanas de transmissão foi relatado um número de 64.084 casos confirmados com 2.346 mortes, no entanto, o número real de casos é provavelmente muito maior. É provável que a presença de muitas infeções leves não diagnosticadas sejam a causa para a limitação e controlo da disseminação desta infecção.
A velocidade da disseminação é alta em comparação ao surto de SARS de 2003, sugerindo que o SARS-CoV2 é muito mais transmissível do que o SARS-CoV.
Transmissão do SARS-CoV2 ou COVID-19
Como ocorre a disseminação do vírus?
- Inalação de grandes gotículas respiratórias contendo vírus vivo pulverizadas dentro de um raio de 1 metro quando uma pessoa infetada tosse ou espirra.
Outras formas de transmissão:
- Tocar em superfícies contaminadas pelo vírus e, em seguida, tocar nos olhos, nariz ou boca;
- Inalar pequenas emissões respiratórias transportadas pelo ar contendo o vírus;
- Possivelmente transmissão fecal-oral.
Um superdifusor é um indivíduo que transmite uma infeção para um número significativamente maior de pessoas do que a pessoa infetada média. Vários fatores contribuem para a superdifusão, incluindo o comportamento do hospedeiro que aumenta o número e a extensão de contactos com indivíduos suscetíveis, aglomerações, ventilação deficiente, procedimentos de isolamento inadequados, movimentação desnecessária de indivíduos infetados, diagnóstico incorreto, virulência e carga viral e coinfeção com outro patogénio.
Um superdifusor do COVID-19?
- Empresário britânico que contraiu o SARS‑CoV2 numa conferência em Cingapura, de 20 a 22 de janeiro de 2020, que foi frequentada por 109 pessoas de muitos países diferentes, sendo pelo menos uma de Hubei. Antes de viajar para França, onde ele transmitiu a doença para 11 colegas em um chalé de esqui nos Alpes Franceses. Depois, ele voltou para o Reino Unido passando pela Suíça antes de descobrir que era portador do SARS-CoV2. Outros seis indivíduos que participaram da conferência no Grand Hyatt também contraíram o COVID-19: um malaio, dois sul‑coreanos e três cingapurianos.
Trata-se de uma pandemia?
Uma pandemia envolve a transmissão sustentada de um agente infecioso em muitos países, através de muitas gerações, em escala global. Até agora, quase 98% dos casos ocorreram na China.
O COVID-19 fora da China tem envolvido principalmente viajantes infetados na China. A transmissão sustentada do SARS‑CoV2 fora da China ocorreu em apenas alguns países, mas o padrão está claramente mudando. Apenas durante um período recente de 48 horas, de 21 a 23 de fevereiro, o número de casos relatados na Coreia do Sul mais do que dobrou passando de 204 para 602 casos. A Coreia do Sul é agora o segundo em número de casos, perdendo apenas para a China. Recentemente, o número de casos também aumentou drasticamente ao longo de alguns dias no Irã passando de 0 para 43 e na Itália de 3 para 132.
Não há relatos de casos em regiões com falta de recursos e sem a capacidade de diagnosticar essa doença; países que preocupam em especial são os países na África.
Durante 48 horas, de 21 a 23 de fevereiro, os casos de COVID-19 nos EUA aumentaram de 15 para 35, incluindo 13 casos associados a viagens, 18 casos de cidadãos americanos repatriados do navio de cruzeiro, Diamond Princess, em quarentena no Japão e três casos de cidadãos dos EUA evacuados de Wuhan. O número de casos neste país agora aumenta para 60, incluindo os 3 casos de americanos repatriados de Wuhan e 42 do navio de cruzeiro, Diamond Princess, mais 15 casos confirmados neste país.
Como prevenir do SARS-CoV2 ou COVID-19?
- Não existe nenhuma vacina capaz de prevenir o SARS-CoV2.
- Não existe medicamento antiviral específico para SARS-CoV2.
Pesquisadores em todo o mundo andam na tentativa de testar medicamentos:
- Kaletra: uma combinação de dois inibidores de protease, lopinavir e ritonavir, usados para tratar VIH/SIDA, cloroquina, um antimalárico, e remdesivir, um análogo de nucleotídeo que foi originalmente testado contra o Ebola.
- Muitas organizações, incluindo o NIH, o Centro Chinês de Controle e Prevenção de Doenças, a Universidade de Hong Kong, a Universidade de Queensland, a Universidade de Saskatchewan e várias empresas farmacêuticas: usam genomas publicados para desenvolver possíveis vacinas contra SARS-CoV-2.
A esperança é que o desenvolvimento rápido de uma vacina e de medicamentos possa mitigar a evolução do COVID-19 para uma pandemia.
Qual a medida preventiva mais importante?
- Precauções respiratórias
- Precauções de contato
- Quarentena
Precauções respiratórias:
Usar máscaras faciais. Existem dois tipos de máscaras faciais disponíveis:
- Cirúrgicas:
- Os pacientes devem usar uma máscara cirúrgica, que ajuda a conter suas secreções respiratórias, protegendo as outras pessoas. No entanto, as máscaras cirúrgicas não se ajustam com a firmeza necessária para proteger pessoas não infetadas contra a inalação de emissões respiratórias infetadas.
- N‑95:
- Pessoas em contato com pacientes infetados devem usar máscaras N-95, que se ajustam muito bem e protegem o usuário contra emissões respiratórias transportadas pelo ar.
- Suprimentos de máscaras faciais N‑95 e outros equipamentos de proteção, como luvas, protetores oculares e vestimentas, podem esgotar durante um surto prolongado, e o seu uso deve ser priorizado para aqueles com maior risco de exposição a indivíduos contagiosos, como aqueles que cuidam de indivíduos infetados – Profissionais de Saúde.
Precauções de contato
- Evitar contato próximo com pessoas com COVID-19;
- Evitar tocar nos olhos, nariz e boca com mãos não lavadas;
- Lavar as mãos frequentemente com água e sabão por, pelo menos, 20 segundos ou usar um desinfetante de mãos à base de álcool, que contenha, pelo menos, 60% de álcool, se não houver sabão e água disponíveis;
- Superfícies no ambiente que são frequentemente tocadas por várias pessoas devem ser limpas usando lenços descartáveis antes de cada uso.
Quarentena
É essencial.
Para os pacientes, a gravidade da doença ajuda a determinar se serão isolados num hospital ou em casa. Indivíduos que estão bem, mas tiveram contato próximo com um paciente infectado pelo COVID-19, são colocados em quarentena em casa durante o período de incubação, ou seja, 14 dias após a última exposição.
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