Hoje vamos debater um tema da saúde que está a abalar o mundo inteiro e a ameaçar a saúde comunitária de forma avassaladora. Vamos desmistificar tudo sobre este vírus e de que forma atua no organismo.

Sobre o coronavírus
O coronavírus são conhecidos como sendo vírus de RNA envelopados.
Infecções provocadas por coronavírus em seres humanos causam mais frequentemente sintomas semelhantes a um resfriado comum:
- Os coronavírus 229E e OC43 causam resfriado comum,
- Dois novos sorótipos, NL63 e HUK1, também foram associados ao resfriado comum,
- Dois coronavírus, MERS-CoV e SARS-CoV, causam infecções respiratórias muito mais graves em humanos do que os outros coronavírus típicos;
- No final de 2002, o SARS-CoV (ver nota) foi identificado como a causa de um surto da síndrome respiratória aguda grave;
- Em 2012, o coronavírus Mers-CoV (ver nota) foi identificado como a causa da síndrome respiratória do Oriente Médio.
NOTA: SARS-CoV, do inglês significa Severe Acute Respiratory Syndrome – síndrome respiratória aguda grave.
NOTA: MERS, do inglês significa MiddLe East Respiratory Syndrome – síndrome respiratória do Oriente Médio.
Síndrome respiratória aguda grave
Esta síndrome provocada por coronavírus é considerada uma das mais graves. Em termos de sintomatologia, caracteriza-se por uma doença semelhante à influenza que, ocasionalmente, provoca insuficiência respiratória progressiva grave.
História…
SARS-CoV foi inicialmente detectado na província de Guangdong, na China, em novembro de 2002 e, subsequentemente, disseminou-se para mais de 30 países. Nesse surto, foram notificados mais de 8000 casos em todo o mundo, com 774 mortes apresentando uma letalidade de aproximadamente 10%. Esse surto diminuiu e não foram identificados novos casos desde 2004.
Causas da propagação do vírus:
Presumiu-se que a fonte imediata tenha sido as civetas, que foram infectadas por contato com morcegos antes de serem vendidas num mercado de animais vivos. Morcegos são frequentes hospedeiros portadores do coronavírus.
Transmissão do vírus:
A transmissão ocorre de pessoa para pessoa por contato pessoal próximo. Acredita-se que seja transmitida mais prontamente por gotículas respiratórias produzidas quando uma pessoa infectada tosse ou espirra.
Diagnóstico do vírus:
O diagnóstico é clínico e o tratamento é de suporte.
Nenhum caso novo era relatado desde 2004 até então, e sem dúvida que o vírus não se encontra erradicado porque o vírus causador tem um reservatório animal do qual é possível ressurgir.
Síndrome respiratória do Oriente Médio
História…
MERS-CoV foi inicialmente descrito em setembro de 2012 na Arábia Saudita, mas um surto em abril de 2012 já tinha sido anteriormente confirmado na Jordânia. Em 2018, em todo o mundo, foram notificados 2144 casos de infecção por MERS-CoV com cerca de 750 mortes por 27 países. O maior surto conhecido ocorreu na República da Coreia em 2015. Casos também foram confirmados na França, Alemanha, Itália, Tunísia e Reino Unido em pacientes que foram transferidos para esses países para tratamento ou adoeceram após retornar do Oriente Médio.
Incidência do vírus:
A idade dos principais infetados por MERS-CoV é de 56 anos, e a proporção homem:mulher é cerca de 1,6:1. A infecção tende a ser mais grave nos idosos e naqueles com doença preexistente como diabetes, doença cardíaca crónica ou doença renal crónica, ou seja, indivíduos imunocomprometidos.
Transmissão do vírus:
Pode ser transmitido de pessoa para pessoa por meio de contato direto, gotículas respiratórias ou aerossóis.
O reservatório deste tipo de vírus são os dromedários, e ao contrário do que se verifica com o SARS-CoV, o mecanismo de transmissão desses animais para os humanos é desconhecido. A maioria dos casos descritos foi por transmissão direta entre humanos em unidades de saúde.
Sintomatologia provocada pelo vírus:
O período de incubação de MERS-CoV é cerca de 5 dias.
A maioria dos casos relatados foi de doença respiratória grave exigindo hospitalização, com letalidade de cerca de 35%; mas pelo menos 21% dos pacientes tiveram sintomas leves ou foram assintomáticos.
Principais sintomas:
- Febre;
- Calafrios;
- Mialgia;
- Tosse;
- Sintomas gastrointestinais (menos frequentes):
- Diarreia, vómito e dor abdominal.
Diagnóstico do vírus:
-
Testes de reação em cadeia da polimerase da transcriptase reversa em tempo real (PCR-TR) das secreções do trato respiratório inferior e superior e também do sangue para identificação de RNA do vírus;
Suspeitar da presença do vírus em pacientes com infecção aguda inexplicada do trato inferior respiratório e que apresentaram algum dos seguintes aspetos em 14 dias após o início dos sintomas:
- Viagens ou residência em uma região onde o vírus foi descrita recentemente ou onde a transmissão pode ter ocorrido;
- Entrar em contato com a unidade de saúde na qual houve conhecimento da transmissão do vírus;
- Contato próximo com um paciente que estava infetado com o vírus.
Como proceder à pesquisa do vírus no organismo?
- Realizar ensaios em tempo real por PCR-TR das secreções do trato respiratório inferior e superior, recolhidas de diferentes locais e em diferentes momentos;
- Deve-se fazer uma colheita de sangue para análise do soro dos pacientes em pesquisa e de todos, mesmo contactos próximos assintomáticos, incluindo profissionais de saúde;
- Também pode ser realizada um Raio-X ao tórax para detectar alterações, que podem ser discretas ou extensas, unilaterais ou bilaterais;
- Em alguns pacientes, os níveis de LDH e AST são altos e/ou os níveis de plaquetas e linfócitos são baixos;
- Alguns pacientes têm lesão renal aguda;
- Noutros casos verifica-se também Coagulação intravascular disseminada e hemólise.
Tratamento do vírus:
- Tratamento de suporte!
- Prevenir a propagação de casos suspeitos;
- Os profissionais de saúde devem usar precauções universais de contato e de transmissão respiratória.
Não há vacina.
Resumo:


