A síndrome das pernas inquietas (SPI) caracteriza-se por movimentos e por vezes sensações anormais nas extremidades superiores e inferiores, que podem interferir no sono. É mais comum durante a faixa etária da meia-idade e velhice. A hereditariedade pode estar envolvida na sua transmissão, dado que, um terço dos pacientes têm história familiar de síndrome das pernas inquietas. Os principais fatores de risco podem incluir vida sedentária, o tabagismo e a obesidade.
Sobre a síndrome das pernas inquietas
A síndrome das pernas inquietas caracteriza-se então por uma condição clínica em que se sente um desconforto anormal nas pernas que surge no final do dia quando se está sentado ou deitado. Tende a estimular os pacientes a se levantarem e mexerem as pernas. Quando o fazem, os pacientes diminui a sensação de desconforto provocado por esta síndrome momentaneamente.
Como já foi mencionado na parte introdutória deste artigo, esta síndrome pode-se desenvolver em qualquer idade mas, por norma, afeta e piora com o avançar da idade, ou seja, em faixas etárias mais velhas.
Pode causar distúrbios do sono, que consequentemente desencadeiam uma sonolência diurna, dificultando a normal locomoção.
Figura 1 – Distúrbios do sono provocados pela síndrome das pernas inquietas.
Existem algumas medidas que podem ser tomadas pelo paciente para tentar conciliar a sua condição com o seu quotidiano, adotando e conciliando com algumas mudanças no estilo de vida. Nomeadamente alguns medicamentos que também ajudam este tipo de pacientes a monitorizarem o seu problema.
Sintomatologia da síndrome das pernas inquietas
Os sintomas primordiais da síndrome das pernas inquietas são descritos como sensações anormais e desconfortáveis ao nível das pernas (gémeos e coxas) e dos pés. Estas sensações também podem ocorrer mais raramente nos braços na forma de formigueiro, arrepio, sensação de puxão, guinadas, comichão, dor, pontadas e ardor.

Figura 2 – Sintomatologia anormal e desconfortável que ocorre comumente na síndrome das pernas inquietas.
Na maioria dos casos, os sintomas parecem não ter descrição possível tendo em conta a sua inespecificidade. Os pacientes tendem a descrever a sensação provocada por esta síndrome como uma caimbrã ou entropecimento e a vontade incessante de mexer as pernas.
Causas da síndrome das pernas inquietas
Não existem causas conhecidas para a síndrome das pernas inquietas, no entanto, pensa-se estar associadas a um desequilíbrio químico de dopamina no cérebro. A dopamina é responsável pelo envio de mensagens ao cérebro que controlam o movimento muscular.
| HEREDITARIEDADE | A SPI é hereditária em metade dos casos, nomeadamente se a condição se manifestou precocemente na idade. |
| GRAVIDEZ | A gravidez e também determinadas alterações hormonais podem piorar temporariamente a sintomatologia. |
| NEUROPATIA PERIFÉRICA | Estes danos nos nervos dos pés e mãos pode ser devido a doenças crónicas como alcoolismo e diabetes. |
| DEFICIÊNCIA DE FERRO | Mesmo sem anemia, a deficiência de ferro pode causar ou piorar o SPI. Historial de hemorragias e perdas de sangue de forma repetida pode causar deficiência de ferro. |
| INSUFICIÊNCIA RENAL | As insuficiências renais podem desencadear deficiências de ferro e, por vezes, anemia e causar e piorar a SPI. |
Diagnóstico da síndrome das pernas inquietas
Para o diagnóstico clínico desta síndrome apenas é necessário ter em conta o historial do paciente, ouvir a descrição dos sintomas através de perguntas sobre o historial clínico. Assim, o diagnóstico pode ser sugerido pela história do paciente ou cônjuge. Os pacientes devem ser avaliados clinicamente quanto à realização de exames sanguíneos para despiste da anemia e deficiência de ferro, assim como a realização de testes para avaliação da função hepática e renal.
A confirmação do diagnóstico acontece na presença de uma vontade enorme e muitas vezes irresistível de mexer as pernas, normalmente acompanhado de sensações desconfortáveis já mencionadas. A sintomatologia tender a piorar quando o paciente se encontre em repouso, sentado ou deitado. E, consequentemente, existir um alívio da sintomatologia quando o paciente realize alguma atividade física.
Tratamento da síndrome das pernas inquietas
Para o tratamento existem diversos fármacos, drogas dopaminérgicas, benzodiazepinas, anticonvulsivantes, vitaminas e minerais para o tratamento da carência do ferro.
Fontes: Grupo Sanfil Medicina – Síndrome das pernas inquietas, Manual MSD Versão para Profissionais de Saúde – Distúrbio dos movimentos periódicos dos membros (DMPM) e síndrome das pernas inquietas (SPI) por Karl Doghramju, MD, Professor of Psychiatry, Neurology, and Medicine and Medical Director, Jefferson Sleep Disorders Center, Thomas Jefferson University, CUF – Síndrome das pernas inquietas, Médico Responde – O que é a síndrome das pernas inquietas?, por Equipe Editorial do Médico Responde, consultadas no dia 5 de março de 2019

