Hoje o tema do espaço saúde remonta já há alguns anos atrás, em que os focos epidémicos foram mais intensos, por volta dos anos de 1918-1922 em que milhões de pessoas morreram. Por curiosidade e segundo o que há descrito na história sobre estes tempos, pensa-se que Anne Frank, uma das vítimas muito conhecidas do holocausto, teria sido vítima desta doença e teria morrido de forma decadente devido a este surto.
Sobre o tifo epidémico…
O tifo epidémico está associado a um bactéria de nome Rickettsia prowazekii e tem como principais sintomas associados febres altas e prolongadas, cefaleia não tratável e manchas cutâneas maculopapulares avermelhadas.
Assim, o tifo epidémico é uma doença com origem em riquétsias. O que acontece no corpo humano para o desenvolvimento da patologia, é que este cria um reservatório natura para o desenvolvimento da Rickettsia prowazekii, que tem uma distribuição universal e é transmitido quando fezes de piolho, carrapatos, entre outros insetos, são depositadas ou esfregadas nos locais de picadas, feridas, boca ou olhos, entre outras mucosas desencadeando a doença do tifo.
ormalmente, não causa a morte a crianças com menos de 10 anos de idade, no entanto, a mortalidade tende a aumentar proporcionalmente ao avançar da idade e pode representar 60% em pacientes com mais de 50 anos e que não estejam em nenhuma fase do tratamento.
Sintomatologia do tifo epidémico
O período de incubação até à manifestação da patologia pode ser de 7 a 14 dias e a manifestação da mesma inicia-se com:
- Febre (as temperaturas febris podem alcançar os 40°C em vários dias e permanecer alta, com sinais leves de remissão matutina durante aproximadamente 2 semanas);
- Cefaleias de forma generalizada e intensa;
- Prostração que ocorre de forma súbita;
- Pequenas máculas avermelhadas que aparecem entre o 4º e o 6º dias e que cobrem o corpo em grande extensão e de rápida proliferação, em geral nas axilas e na parte superior do tronco, normalmente excluindo as palmas, as plantas dos pés e a face. Posteriormente, as manchas cutâneas podem tornar-se escuras e maculopapulares e em casos extremos pode tornar-se com aspeto de petéquias e hemorrágico;

Figura 1 – Manchas avermelhadas no corpo associadas ao tifo.
- Esplenomegalia também é um dos sintomas que pode surgir;
- Hipotensão que ocorre em grande parte dos pacientes, nomeadamente nos que se encontram com um estado de saúde mais debilitado;
- Colapso circulatório;
- Insuficiência renal;
- Sinais de encefalite;
- Equimoses com gangrena;
- Pneumonia.
De referir que, estes últimos 5 sinais/sintomas se presentes no paciente são de muito mau prognóstico.
Diagnóstico do tifo epidémico
O diagnóstico do tifo epidémico passa por uma observação clínica geral do paciente, avaliação das condições habitacionais, tendo em conta que uma maior incidência da doença está associada a condições mais precárias e, aquando de uma suspeita é necessário a realização de exames laboratoriais e médico-clínicos, desde:
- Avaliação das características clínicas gerais do paciente;
- Biópsia do exantema com posterior coloração por intermédio de anticorpos utilizando uma técnica de fluorescência direta para deteção de microrganismos presentes causadores da patologia; neste caso, riquétsias;
- Testes sorológicos que devem ser realizados na fase aguda e convalescente da doença do paciente (sorologias não são úteis na fase aguda);
- Proteína C Reativa para avaliação do estado infecciológico/inflamatório.
Tratamento do tifo epidémico
O tratamento do tifo epidémico para pelo uso de antibióticos e cuidados de suporte para aliviar os sintomas. Nos casos de doença mais severa pode ser necessário administrar medicamentos à base de corticosteróides.
O principal antibiótico administrados nestes casos patológicos é a doxiciclina e o cloranfenicol como tratamento de segunda linha.
Prevenção do tifo epidémico
A prevenção passa simples imunização e controlo dos insetos e animais que são altamente efetivos para prevenção.
Fontes: Manual MSD – Tifo epidémico, MinhaVida – Tifo: sintomas, tratamentos e causas, InVivo Saúde – Tifo, As epidemias nas notícias em Portugal: cólera, peste, tifo, gripe e varíola, 1854-1918
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