Será 3 maior que 5? “Óbvio que não! Qualquer um sabe isso!” – dizem vocês. Mas será realmente verdade? Será que qualquer um sabe que 3 não é maior que 5? Na realidade não…
Existem pessoas com uma perturbação neurodesenvolvimental denominada discalculia, que possuem dificuldades no que diz respeito às competências aritméticas: conceito de número, conceito de medida, cálculos (somar, subtrair, multiplicar e dividir), contar, etc. Algo tão simples para alguns como fazer o troco, é uma tarefa dantesca para as pessoas com discalculia.
Estima-se que afecte 3 a 6 % da população mundial e é definida pela Associação Britânica de Dislexia como:
“Discalculia é uma condição que afecta a habilidade do indivíduo em adquirir proficiência aritmética. Pessoas com discalculia podem ter dificuldade em compreender simples conceitos, como o que são os números, datas e outros factos numéricos. Mesmo que sejam capazes de responder correctamente a uma questão numérica ou de utilizar um método de forma correcta, fazem-no de forma mecânica e sem confiança no resultado obtido.”
Note-se no entanto que uma criança com discalculia pode ter as suas competências aritméticas comprometidas sem que exista qualquer alteração a nível intelectual, estabilidade emocional, e sempre tendo existido práticas pedagógicas consistentes.
Evidência científica demonstra que existe uma relação entre a dislexia e a discalculia. Vários estudos demonstram que 30 a 70 % das crianças com uma destas Perturbações da Aprendizagem Específicas podem apresentar concomitantemente critérios de diagnóstico de dislexia e discalculia.
As causas da discalculia são várias, podendo ser de origem hereditária, resultar de condições médicas durante o desenvolvimento do feto, traumatismos cranianos ou factores ambientais. A discalculia encontra-se ainda associada a doenças genéticas como a síndrome de Turner, síndrome do cromossoma X frágil, ou a síndrome de Williams.
Se não for diagnosticada numa idade precoce, pode ter um efeito de “bola de neve” pois afectará o rendimento escolar da criança, causando ansiedade, depressão, perda de auto-estima e de motivação.
Portanto, não é necessariamente a criança que é preguiçosa, nem são os professores que são maus, a criança é simplesmente assim. Cabe aos pais e aos professores estarem atentos aos sinais para que a criança tenha o acompanhamento que precisa desde tenra idade, tornando possível a realização de simples tarefas como saber ver as horas, ou fazer um pagamento.
Fontes:
“Discalculia”. CUF. https://www.saudecuf.pt/mais-saude/doencas-a-z/discalculia (Acedido em 9 de Julho, 2018)
“Discalculia”. Portal da Dislexia. https://dislexia.pt/comorbilidades/discalculia/ (Acedido em 9 de Julho, 2018)

