A apneia do sono caracteriza-se por ruídos e interrupções na respiração repetidas, no mínimo, cinco vezes num período de 1 hora. A questão principal desta patologia, é que não se trata apenas de um simples ronco. Na apneia, o ruído noturno que ocorre é entrecortado por engasgos simultâneos – e o complicado é que muitas vezes o indivíduo não se apercebe desses espasmos durante o sono. Estas pequenas pausas na entrada do ar chegam, por vezes, a diminuir a concentração de oxigénio no sangue e desenvolver outras complicações.
A partir deste propósito poderão derivar as consequências mais sérias da patologia. Ao desencadear uma supressão de oxigénio ao nível celular/tecidual e, consequentemente ao nível do sistema nervoso, desencadeia o aumento no ritmo da frequência cardíaca estimulando constrações vasculares. Com o avançar do distúrbio, estes acontecimentos acabam, inevitavelmente, por se perpetuares no tempo e ao longo do dia. Assim, a apneia do sono, muitas das vezes, anda de mão dadas com outra patologia extremamente frequentem em Portugal que é a hipertensão arterial associada a arritmia cardíaca.
Para além destes factos clínicos já mencionados, a presença desta patologia ainda favorece o acúmulo de gordura abdominal e a resistência à insulina, condição que pode contribuir para o desenvolvimento de diabetes tipo II, em casos mais severos e não controlados.

Figura 1 – Apneia do sono.
Apneia obstrutiva do sono
A apneia obstrutiva do sono é a versão mais comum conhecida desta doença. Nestes casos, o ar para fluir normalmente para as vias aéreas e eclodir no organismo, em função de um bloqueio temporário causado pelo relaxamento dos músculos da garganta – mecanismos anatómicos de funcionamento e passagem do ar que interferem nesta patologia.
Nas crianças, o problema pode estar relacionado com o aumento dos adenoides – glândulas localizadas no nariz, ou das amígdalas – glândulas localizadas na garganta, à entrada da faringe. A apneia central do sono, no entanto, é um tipo de manifestação mais raro, ocasionado por uma alteração na região cerebral que controla os movimentos respiratórios.

Figura 2 – Vias não obstruídas e obstruídas para a passagem do ar.
Sinais e sintomas
Sobre a sintomatologia desta patologia tem-se essencialmente presente:
- Roncos;
- Respiração ofegante (nomeadamente nos períodos do sono);
- Sensação de sufocamento durante o sono;
- Sono agitado derivado dos sintomas referidos anteriormente;
- Sonolência ao longo do dia;
- Dificuldade na concentração;
- Cefaleias (dor de cabeça) matinal.
Fatores de risco
Existem vários fatores de risco que podem favorecer o desenvolvimento desta patologia ou o início da sua manifestação, nomeadamente:
- Excesso de peso;
- Maxilar inferior encurtado – empurra a língua muito para trás e tapa a garganta dificultando a respiração de forma norma;
- Tabagismo;
- Hábitos de consumo de álcool inadequado (excessos no consumo);
- Aumento das amígdalas e adenoides;
- Dormir de barriga para cima;
- Presença de tumores.
Prevenção
A prevenção passa, muitas das vezes, pela adoção de um estilo de vida saudável, com alimentação equilibrada e exercício físico regular, tendo em conta que o excesso de peso é um dos principais desencadeadores da apneia. Os fumadores devem fazer um esforço extra para deixarem o seu vício, uma vez que que este hábito agrava bastante a condição clínica da patologia. O álcool é outro dos vícios que deve ser colocado de parte porque o seu excesso também interfere com o ciclo do sono e com o relaxamento da musculatura da garganta transformando-se num fator muito promissor para o desencadeamento do distúrbio em questão.
Diagnóstico
A deteção clínica da apneia tem como ponto de partida o relato de sonos agitados e ruidosos por parte do paciente e, assim, a avaliação do parceiro neste momento de diagnóstico é fundamente em muitos dos casos. A confirmação e análise da gravidade da patologia, normalmente é realizada por um exame de polissonografia.
Este exame é realizado em laboratório especializados em que o paciente passa a noite ligado a um aparelho que regista parâmetros como os batimentos cardíacos, a atividade cerebral, o movimento dos olhos, a respiração e o nível de oxigénio no sangue.
Também é possível realizar este monitoramento a partir de um dispositivo portátil, que fica preso ao pulso em em dois dedos da mão. É colocado na hora de o paciente ir dormir e regista as condições do sono. Seguidamente, o aparelho é levado para o médico que analise os resultados e faz um diagnóstico.
Tratamento
O tratamento passa pela deteção da origem da patologia, numa fase inicial. Por exemplo, se a pessoa for obesa, a primeira recomendação passa pela perda de peso que deve ser realizada pelo paciente, associada a exercícios fonoaudiológicos para tonificar os músculos da garganta.
No caso das apneias ser consideradas leves, que inclui a respiração pela boca, normalmente são tratadas com a utilização de dilatadores de narinas. Para quem apresente a mandíbula curta, aparelhos ortodônticos feitos à medida projetam a estrutura esquelética ou baixam a língua, facilitando a passagem do ar.
Relativamente às pausas na respiração durante o sono, estas são resolvidas pela implementação de um mecanismo designado por CPAP – pressão positiva contínua nas vias aéreas. Trata-se de uma máscara que cobre o nariz e boca e liberta o ar para as vias respiratórias. O CPAP é considerado o tratamento gold para a apneia do sono. Se o problema estiver relacionado com incorreções anatómicas, arquitetura da face ou amígdalas/anedoides, recomenda-se a realização de cirurgia para colmatar estas incorreções e melhorar o estado de saúde e condição de vida.

Figura 3 – CPAP.

Figura 4 – Cirurgia para correção da estrutura óssea (mandíbula).
Fontes: Saúde – Apneia do sono, CUF – apneia do sono, Tua saúde – apneia do sono, Minuto saudável – apneia do sono, Minha vida – apneia do sono

