O Pirarucu (Arapaima gigas), também chamado de paiche ou arapaima, é um peixe curioso que consegue respirar oxigénio do ar. Pertence à família Osteoglossidae. Habita os rios da bacia do rio Amazonas, nas florestas tropicais da América do Sul. É um dos maiores peixes de água doce do mundo. Consegue chegar a ter 2,75 m de comprimento e pesar cerca de 200 kg. Possuem também um corpo largo com escamas, acinzentado e com uma cabeça afunilada.

A cabeça do pirarucu é afunilada. Autor: Jeff Kubina.
Conseguem permanecer debaixo de água cerca de 10-20 minutos, mas preferem manter-se próximos da superfície da água. Quando emergem para respirar, libertam um barulho semelhante a uma tosse. Possuem brânquias, mas preferem respirar o oxigénio atmosférico, do que o aquático. Possuem uma bexiga natatória modificada, semelhante a um pulmão. Alimentam-se principalmente de peixes e são conhecidos por também apanharem aves próximos da água. Estes carnívoros conseguem viver cerca de 15-20 anos em cativeiro.
Porém a proximidade do pirarucu da superfície da água, torna-o vulneravél a predadores humanos, que os caçavam com harpões.
Algumas comunidades nativas das florestas caçavam o pirarucu pela sua carne e língua e colecionavam as suas grandes escamas, que eram transformadas em joalharia e outros objectos. A língua do pirarucu é “óssea” e possui dentes e as pessoas locais costumam usá-las para raspar.

As escamas de um pirarucu. Autor: T. Voekler.
As inundações sazonais do Amazonas estão intimamente ligadas ao ciclo reprodutivo do pirarucu. Durante os meses de Febreiro a Abril (nível de água baixo), estes peixes constroem ninhos no fundo e as fêmeas põe ovos. As crias eclodem quando os níveis da água do rio começam a subir, fornecendo-lhes as condições ideais de desenvolvimento. Os machos adultos incubam dezenas de milhares de ovos nas suas bocas, protegendo-os agressivamente e movendo-os quando necessário. As crias mantêm-se em cardumes próximos da cabeça dos progenitores macho que os mantêm perto da superfície para reazlizarem respiração aérea.

Um espécimen de A. gigas mantido em cativeiro no Manilla Ocean Park Oceanarium, nas Filipinas. Autor: Isla Yelo.
Precisa-se de se descobrir mais sobre o Pirarucu!
Apesar do habitat deste peixe gigante não estar muito alterado, a sobre-pesca está a tornar-se problemática e algumas autoridades sul americanas (como o Brazil ou a Colôbia) começaram a por em curso algumas protecções legais. Existe muita pouca informação sobre os números de indíviduos existentes de pirarucu, ou mesmo sobre quantas outras espécies de Arapaima existem. Visto que até pouco tempo, Arapaima era um género monotópico, isto é, com apenas uma espécie Arapaima gigas. Tal mudou com uma pesquisa mais aprofundada sobre os indivíduos já documentados.

Indivíduos pertencentes à espécie A. leptosoma (semelhantes ao A. gigas), mantidos num aquário em Sevastopol, na Ucrânia. Autor: George Chernilevsky.
Fonte: National Geographic, Wikipedia

