Breve introdução
Dentro das inúmeras doenças raras que existem e que já foram algumas discutidas neste espaço, trago hoje a tema o Quisto de Tarlov.
Na sua globalidade, o Quisto de Tarlov pode ser encontrado num exame de ressonância magnética em que o objetivo fulcral é avaliar a anatomia da coluna. É conhecida por não causas sintomas, não é considerado grave, nem necessita de tratamento cirúrgico para remoção, felizmente; ou seja, é uma patologia totalmente benigna e não evolui de forma alguma para a malignidade.

Figura 1 – Cisto de Tarlov – vista lateral.
Podemos caracterizar o Quisto de Tarlov, na sua banalidade como uma pequena dilatação chia de líquido, que se encontra localizada entre as vértebras S1, S2 e S3, mas concretamente ao nível das raízes nervosas presentes na coluna, tecidos e que revestem a medula óssea.
Um indivíduo portador de um Quisto de Tarlov pode ter apenas 1 ou vários Quistos, e dependendo da sua localização no organismo pode comprimir os nervos e causar alterações nervosas, como a sensação de formigueiro ou choque.

Figura 2 – Coluna vertebral normal e coluna vertebral com Quisto de Tarlov.
Sintomas do Quisto de Tarlov
Na maioria das pessoas que têm o Quisto, não apresentam sintomatologia relevante. No entanto, nos casos em que há desenvolvimento de sintomas por parte do indivíduo, estes podem ser:
- Dor nas pernas;
- Dificuldade na locomoção;
- Dor nas costas, mais concretamente na parte terminal da coluna;
- Sensação de formigueiro ou dormência na parte terminal da coluna afetando também os membros inferiores;
- Diminuição da sensibilidade no local afetado ou também nos membros inferiores;
- Alterações no esfíncter anal, com risco de perder fezes.

Figura 3 – Sintomatologia do Quisto de Tarlov.
O sintoma mais comum relaciona-se com a dor na parte terminal das costas, em que numa fase inicial de diagnóstico há uma suspeita de hérnia de disco, e então o médico pede uma ressonância magnética e descobre que o motivo daquela dor relaciona-se com um Quisto de Tarlov. Estes sintomas estão todos relacionado com a compressão que o Quisto exerce nas raízes nervosas e partes ósseas presentes na região ocupada pelo Quisto.
As causas que explicam o surgimento deste tipo de Quisto ainda não são de todo esclarecidas, nem conhecidas, mas pensa-se que o Quisto de Tarlov possa ser uma patologia congénita ou então esteja relacionado com algum tipo de traumatismo local ou ainda uma hemorragia subaracnóideia.
Tratamento para o Quisto de Tarlov
Atualmente, o Quisto de Tarlov não é de todo uma doença preocupante e tem um tratamento eficaz. Normalmente, o tratamento passa pela toma de analgésicos, relaxantes musculares, antidepressivos ou analgesia peridural, o que pode ser suficiente para controlar a sintomatologia quando presente.
No entanto, a realização de fisioterapia é fundamental e é especialmente indicada para combater os sintomas e melhorar a qualidade de vida da pessoa. Este deve ser realizado, de preferência, diariamente, com o uso de aparelhos que vão aliviar a dor. A mobilização articular e neural é outra alternativa e, pode ser útil em alguns casos. No entanto, cada caso deve ser avaliado individualmente pelo fisioterapeuta.
Em que casos se realiza cirurgia?
O indivíduo que possui sintomas e que não apresenta uma melhoria nem com a medicação prescrita nem com métodos fisioterapêuticos, o médico deve ponderar a realização da cirurgia como forma de solucionar os sintomas do doente.
No entanto, caros leitores, a cirurgia raramente é indicada assim como a patologia propriamente dita. Ainda assim, a cirurgia é realizada com o intuito de retirar o Quisto através de uma laminectomia ou punção com agulha para esvaziamento Quisto. Em termos prático, é uma cirurgia simples mas delicada. Normalmente, esta é indicada na presença de Quisto com tamanho superior a 1,5 cm com alterações ósseas ao seu redor.
Fontes: Artigo de revisão – Cisto de Tarlov, Cisto de Tarlov – Relato de quatro casos, Clínica de Dor – Cisto de Tarlov, Tua Saúde – Cisto de Tarlov

