Oophila amblystomatis é uma espécie de alga-verde unicelular. O nome específico latim significa “gosta de ovos de salamandra”. Esta espécie de alga é apenas encontrada nos ovos da salamandra-manchada (Ambystoma maculatum). Oophila amblystomatis desenvolveu uma relação simbiótica benéfica com a salamandra-manchada, fazendo parte essencial do seu ciclo de vida. O género Oophila é constituído por esta espécie de alga.

Uma salamandra-manchada adulta. Autor: Jack Ray.
Relembrando alguns factos sobre a salamandra-manchada, esta é um anfíbio de pequenas dimensões que surge nos Estados Unidos e no Canadá. O seu habitat natural é constituído por zonas florestais próximas de planícies de inundação. Estas zonas planas perto de rios inundam quando o caudal do rio aumenta. As salamandras depositam os seus ovos por entre ramos e pedras no fundo de piscinas e lagos vernais. Só que os ovos das salamandras encontram-se envolvidos numa cápsula ou gel impermeável.
Os ovos podem apresentar um polimorfismo único nas camadas externas gelatinosas no grupo de ovos (entre 6,4-10,2 cm de comprimento). Um grupo de ovos tem uma aparência transparente e contem uma proteína hidrossolúvel. O outro grupo é branco e contém proteínas cristalinas hidrofóbicas. Acredita-se que este polimorfismo ajuda a conferir diferentes vantagens em lagos com diferentes níveis de nutrientes dissolvidos na água. Também se acredita que ajuda a reduzir a mortalidade causada por girinos de rã-castanha (Lithobates sylvaticus).

Duas massas de ovos de salamandra-manchada. A da direita é transparente enquanto a da esquerda é branca. Autor: Fredlyfish4.
Invasão por Oophila amblystomatis
Oophila amblystomatis consegue invadir as camadas de gel impermeável dos ovos de salamandra-manchada. Aqui, as células conseguem crescer e multiplicar-se. Quando se encontra dentro do gel, as células de Oophila amblystomatis metabolizam o dióxido de carbono produzido pelo embrião e fornecem oxigénio, fruto da fotossíntese.
Ryan Kerney et al. estudaram este fenómeno de invasão das algas-verdes sobre ovos de salamandra-manchada. Eles também descobriram que a simbiose entre Oophila e as salamandras pode estender-se para além do estadio de oócito ou fases embriónicas iniciais. Observou-se autofluorescência da clorofila, que juntamente com análise de DNA ribossomal, sugere que Oophila amblystomatis chegou mesmo a invadir células e tecidos embrionários da salamandra e serem mesmo transmitidos à próxima geração.
Quem estiver interessado por encontrar no link abaixo o artigo de Ryan Kerney sobre o assunto.
Fonte: Wikipedia (1), (2), (3), Ryan Kerney et al.

