O teste de Beilstein é um teste químico qualitativo para detectar halogenetos. Trata-se de um teste muito simples que permite a detecção rápida de compostos halogenados, utilizando uma pequena amostra. É usado por curadores dos museus, para testar a presença de materiais orgânicos clorinados, os quais podem ser danosos para as obras de arte, sem terem que submeter as amostras para análise de laboratório.
Este teste, desenvolvido por Friedrich Konrad Beilstein, baseia-se na reacção dos halogenetos com cobre quando postos à chama. Nestas condições, os compostos são excitados, e a chama passa a adquirir uma coloração verde. Um fio de cobre é limpo e aquecido à chama até ficar incandescente, para que se forme uma camada de óxido de cobre (II). Este é depois mergulhado na amostra a ser testada e é posto de novo à chama. Um resultado positivo é indicado pela chama verde, causada pela ionização do halogeneto de cobre. Este teste não detecta fluoretos/flúor.
Procedimento
Deve usar-se um fio de cobre que não seja demasiado fino, para que não derreta. Deve aquecer-se o fio até que fique incandescente e que a chama perca a coloração azul típica da ionização do cobre. Não deve haver nenhuma coloração verde: caso apareça uma cor esverdeada, deve limpar-se o fio de cobre com água e depois com ácido nítrico diluído (10%) para remover os contaminantes; caso a eliminação dos contaminantes falhe, deve utilizar-se outro fio de cobre. Uma vez limpo e aquecido, deve evitar-se tocar com os dedos no fio, ou tocar com o fio em qualquer outra superfície. O teste deve ser realizado num espaço com baixa luminosidade, para facilitar a visualização da mudança de cor da chama. Podem formar-se vapores tóxicos, pelo que este deve ser conduzido em local arejado/ventilado.
Pode realizar-se o teste de várias formas:
- Aquecer o fio até à incandescência, tocar rapidamente na amostra e depois colocar de novo à chama. Uma chama verde corresponde a um resultado positivo para a presença de halogenetos. É preciso ter cuidado quando se coloca o fio incandescente em contacto com o material a testar, pois pode entrar em combustão.
- Aquecer o fio até ficar incandescente. e depois deixá-lo na extremidade da chama. Com o fio na extremidade da chama, colocar um fragmento da amostra na proximidade da chama e deixar queimar, permitindo que os fumos envolvam o fio de cobre. Caso apareça uma chama verde em torno do fio, então a amostra é halogenada.
- Com o fio, já incandescente, em contacto com a chama, colocar um fragmento da amostra perto da chama e deixar queimar. Retirar a amostra da chama e colocá-la imediatamente por debaixo da chama, para que o fumo seja atraído e se misture com os gases da mesma. Caso apareça uma chama verde em torno do fio de cobre, então a amostra é halogenada.
- Aquecer o fio de cobre até ficar incandescente. Depois, colocar a amostra por debaixo da chama e tocar imediatamente com o fio na superfície da amostra, de forma a que o fumo seja atraído para a chama. Um resultado positivo é indicado pelo aparecimento de uma chama verde.
De todos as técnicas descritas, a última é a mais sensível. É também a melhor para detectar a presença de materiais halogenados voláteis, como solventes (e.g. diclorometano).
Aplicabilidade da técnica
O teste de Beilstein tem sido utilizado por muitas décadas para analisar materiais orgânicos e poliméricos. Os técnicos de refrigeração utilizavam uma técnica muito similar para detectar fugas de refrigerantes do tipo CFC (clorofluorocarbonetos). Este teste também foi muito utilizado para detectar PVC em produtos para numismática.
Este teste é relativamente sensível e requer uma pequena quantidade de amostra. No entanto, a presença de alguns contaminantes pode induzir em erro. Os compostos orgânicos presentes na pele ou alguns materiais inorgânicos clorinados, como pigmentos, podem causar falsos positivos. A maior dificuldade da detecção reside na volatilidade da amostra. Caso se esteja a testar um composto que seja muito volátil, este pode vaporizar depressa demais e não chegar a reagir com o cobre (daí o quarto método ser o mas sensível).
O teste de Beilstein é indicado para testar uma grande variedade de materiais, incluindo plásticos, adesivos, borrachas, solventes e revestimentos.
Exemplos de materiais que originam resultados positivos
- PVC (policloreto de vinilo)
- PVDC (policloreto de vilideno)
- borrachas clorinadas
- resinas epóxi clorinadas
- solventes halogenados.
Fontes: Wikipédia | Canadian Conservation Institute Note 17/1
Filme: Youtube

