Uma publicação de 2007, na revista científica “Freshwater Biology”, descreveu o facto das libélulas serem atraídas pelas lápides negras presentes nos cemitérios. O estudo levado a cabo por Gábor Horváth, Péter Malik, György Kriska e Hansruedi Wildermuth, dedicou-se à observação das seguintes espécies de libélulas:
- Sympetrum flaveolum
- S. striolatum
- S. sanguineum
- S. meridionale
- S. danae
As observações foram realizadas em cemitérios da Hungria.
As observações
Os investigadores observaram que estes insectos apresentavam o mesmo comportamento quando na água ou perto de uma lápide. Isto é, as libélulas empoleiram-se nas vizinhanças das lápides e defendem o seu local das restantes libélulas.
Além disso, tendem a fazer voos repetidos de aproximação à lápide, tocando com a zona ventral na lápide, como se de água se tratasse.
Também se observaram pares de libélulas (casais) em acasalamento em voos circulares por cima das lápides.
As libélulas preferem lápides polidas com pelo menos 0,5 m2 de área e que estejam numa zona aberta e ampla. Também têm preferências por lápides que tenham algo na sua vizinhança que possibilite que as mesmas possam estar pousadas lá.
A explicação
O estudo confirmou que as lápides negras e polidas são capazes de reflectir luz polarizada horizontal tal como a superfície da água de lagos, por exemplo. Testando a afinidade das libélulas para outros materiais com a mesma capacidade de reflexão da luz, confirmou-se que, de facto, as libélulas são atraídas pela reflexão de luz polarizada horizontalmente.
Consequências
Esta atracção por lápides pode mesmo comprometer a viabilidade das libélulas porque as fêmeas tendem a depositar os ovos na superfície da água. Neste caso, caso os ovos sejam depositados nas lápides, longe da água, é muito pouco provável que estes venham a originar novos indivíduos.
Fonte: Gábor Horváth, et al., “Ecological traps for dragonflies in a cemetery: the attraction of Sympetrum species (Odonata: Libellulidae) by horizontally polarizing black gravestones”, Freshwater Biology, 2007, doi: 10.1111/j.1365-2427.2007.01798.x




