A Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou que o glifosato, herbicida mais usado em todo o mundo, é provavelmente cancerígeno para os humanos. Contudo, este comunicado teve logo repercussões por toda a indústria de herbicidas.
Um dos responsáveis pela Monsanto, empresa que venda a maior parte do glifosato usado mundialmente, afirma estarem a ser alvo de um ultraje de acordo com os novos desenvolvimentos acerca do uso deste herbicida.
O glifosato é vendido pela Monsanto na forma comercial de Roundup e é amplamente usado na agricultura e no uso de doméstico em jardins e hortas. O impacto mais significativo relaciona-se com o facto de ser usado em larga escala em plantações agrícolas de plantas geneticamente modificas para serem tolerantes ao herbicida. Nestes campos o herbicida pode ser administrado sobre as culturas, sem que estas morram. Assim é possível controlar o crescimento de espécies indesejáveis.
Mas é o glifosato cancerígeno?
A IARC (International Agency for Research on Cancer) indicou que dois pesticidas, o tetaclorvinfos e o paration são possíveis carcinógenos humanos (Categoria 2B). No entanto, outros três herbicidas, malation, diazinon e glifosato são considerados como possíveis carcinógenos humanos (Categoria 2A).
A relação do glifosato com o cancro
A IARC avança que as evidências que relacionam o glifosato ao cancro são limitadas. No entanto, vários estudos mostraram que as pessoas que trabalham com o herbicida apresentam risco aumentado de desenvolver cancro, nomeadamente linfoma de não-Hodgkin. O estudo baseou-se no acompanhamento de milhares de fazendeiros.
Adicionalmente foram feitos estudos em animais, e isso levou o glifosato á categotia de possível carcinógeno. Ratos e ratazanas apresentaram formação de tumores relacionados com o glifosato e que parece estar relacionado com a indução de danos no DNA.
Na verdade quase tudo é cancerígeno…
De forma a percebermos melhor o que significa dizer que o glifosato está na categoria 2A de carcinógenos, vejamos a classificação definida pela IARC:
Grupo 1: agentes que são definitivamente carcinógenos para humanos;
Grupo 2A: provavelmente são carcinógenos para humanos;
Grupo 3: não classificados;
Grupo 4: provavelmente não são carcinógenos.
Em sua defesa, a Monsanto afirma que a IARC classifica imensos agentes como cancerígenos todos os dias. Por exemplo, na categoria 2, também o café, os telemóveis, os extratos de aloe vera e os vegetais em conserva estão presentes. Porém estes estão numa categoria mais baixa (menos perigosa), 2B em vez do 2A do glifosato.
Neste momento estão a ser feitas mais avaliações, nomeadamente pla Environmental Protection Agency, de forma a chegar a um veredicto final sobre o glifosato.
Fonte: Scientific American

