O Prémio Nobel da Literatura de 2012 foi atribuído ao escritor chinês Mo Yan, pelas suas obras literárias, existentes em várias línguas (ex: Chinês, Inglês, Alemão, Francês, Espanhol). O que caracteriza todo o seu trabalho é o realismo excessivo experienciado pelo autor e as críticas à sociedade presentes nas suas últimas obras, com alguma dose de humor negro à mistura.
Mo Yan é o pseudónimo usado por Guan Moye, nascido a 1955, em Gaomi, na província chinesa de Shandong. Cresceu numa família de agricultores e durante o Revolução Cultural, abandonou a escola e começou a trabalhar no campo e mais tarde numa fábrica. Aos 21 anos, juntou-se ao exército, onde aprendeu a escrever e começou a estudar literatura. O seu primeiro conto foi publicado num jornal literário em 1981. O seu primeiro sucesso, surgiu em 1986 com a novela Touming de hong luobo (publicado em francês, como Le radis de cristal, 1993).
Como já referi, Mo Yan utiliza as suas experiências e os locais onde viveu, na suas obras. Tal pode ser provado na obra Hong gaoliang jiazu (1987, em Inglês, Red Sorghum 1993). Este livro consite em cinco histórias que revelam como a vida era em Gaomi, durante várias décadas do séc. XX, com descrições da cultura criminosa, da ocupação Japonesa e das duras condições enfrentadas pelos pobres agricultores. Foi adaptado para filme em 1987, realizado por Zhang Yimou. Tanto a sua obra Tiantang suantai zhi ge (1988, em inglês The Garlic Ballads 1995), como a Jiuguo (1992, em inglês The Republic of Wine 2000) foram consideradas subversivas devido à intensa crítica que faz à sociedade chinesa.
Mais recentemente, na sua última obra Wa (2009, em francês Grenouilles 2011), aborda-se as consequências da política do filho único, imposta pelo Governo Chinês. Mas estas poucas obras aqui discutidas são apenas um ínfima porção de todas as obras escritas por Mo Yan.
Através duma mistura de fantasia e realidade, perspectivas históricas e sociais, Mo Yan criou um mundo que relembra a complexidade nas obras de William Faulkner e Gabriel García Márquez, mas ao mesmo tempo o seu ponto de partida é a antiga literatura chinesa e a tradição oral. Ainda publicou vários contos e ensaios sobre vários tópicos, e apesar da crítica social existente no seu país de origem, ele é um dos principais autores contemporâneos.
Foi a 11 de Outubro, que o professor Peter Englund (Secretário Permanente, da Acedemia Sueca) anunciou o Prémio Nobel da Literatura de 2012.
Fonte: Nobel Prize (1), (2)



