Ho ho ho Barbaritanos!
Caso ainda não tenham reparado, gostando vocês do Natal ou simplesmente não lhe ligando nenhuma, a vossa agenda diz-me que faltam exatamente três dias para o grandioso dia. É impressionante como esta data pode deixar tanta gente a sonhar! É fundamentalmente por isso que amo esta época do ano! Por muito mal que as pessoas estejam, por muito sofrimento que tragam consigo, por muito que lhes apeteça desaparecer por breves instantes, as gentes unificam-se, pedem perdão pelas suas ruins ações, pelas palavras que nunca deveriam ter sido sugeridas, olham os céus, aliam as mãos, compartilham o amor que sentem, e dão graças ao ser no qual acreditam por se encontrarem ali, entusiásticos, afortunados por instantes.
Um ano completo. Preocupamo-nos com os afazeres, o estudo, uma ou outra lição, aquela tarefa que era mesmo relevante, a frequência da próxima semana, o pai ou a mãe com gripe, o irmão embirrento que só se recorda de chatear quando não é suposto. Andamos um ano a desejar que advenha o momento em que realmente possamos implorar por alguma coisa. Inventamos tantas justificações para parecer bem: agora não que posso parecer egoísta, agora não porque a vida está cara, agora não que a vizinha ainda não saiu do prédio, agora não porque há 68% de humidade na atmosfera, agora não que a dispensa está desguarnecida, agora não porque não me apetece tagarelar, agora não que estou sem tempo! Chega! É Natal, pedinchem! Peçam algo nem que seja para a formiga que passa despercebida e nem sequer sabe da tua existência!
Eu também vou solicitar uma coisa, mas a vocês: quando pedirem, não sejam suficientemente fúteis e materialistas! Tenho pena que o dinheiro esteja tão valorizado, e é verdade que sem ele desapareceríamos, mas algo como ele deveria ser a realidade menos considerável no cosmos! É altura de deixarem as consolas, os computadores, os telemóveis e todas as possíveis bugigangas eletrónicas e quinquilharias medonhas que vos retiram o precioso tempo que deveriam estar a ganhar com outros seres humanos! Seres humanos que talvez vos pronunciam boa noite todos os dias, que vos presenteiam com um sorriso todas as manhãs, que tendem a compreender-vos por meses ou a aturar-vos por anos e anos!
O nosso querido São Nicolau iria ficar radiante, e até a imagem de Pai Natal que praticamente toda a gente pensa que foi criada pela Coca-Cola ficaria muito mais rechonchuda e sorridente. Já agora, uma curiosidade: aquela imagem encarnada, amigável e deveras fofinha que temos em mente foi criada por Thomas Nast, em 1866, no semanário “Harper’s Weekly”.
E lembrem-se: até no Pólo Norte pode haver alguém a torcer para que vocês peçam aquilo que realmente pretendem! Sim, porque algo só deixa de existir a partir do momento em que todos desistem de acreditar!
Bom Natal Barbaritanos!
Bárbara

