Um estudo publicado na revista científica “Neurourology and Urodynamics”, em 2010, evidencia que o ser humano toma piores decisões quando se encontra com vontade de urinar.
Já era bem conhecido o fenómeno pelo qual a vontade de urinar leva a uma sensação de vazio e dor. Esta é uma resposta do nosso organism para nos indicar que devemos iniciar o acto de micção, com o objetivo de excretar a urina. Porém, este processo pode ir mais longe, ao afectar as funções cognitivas.
Metodologia
Os investigadores submeteram a teste 8 jovens que ingeriram 250 mL de água a cada 15 minutos até ao momento que não conseguiam suportar mais ingestão de água, dada a sua vontade de urinar. Posteriormente foram feitos vários testes de atenção e memória em diferentes intervalos de tempo com o intuito de perceber como é que a vontade de urinar afeta as funções cognitivas dos indivíduos.
Resultados
Os resultados mostraram que os indivíduos com uma forte vontade de urinar têm muito mais dificuldades em estar atentos e a exercerem funções de memorização. Não obstante, esta condição é revertida após o acto de micção.

Efeito de deterioração cognitiva da privação da micção (Branco) em comparação com indivíduos com uma taxa de álcool no sangue de 0,05% (Cinzento) e cansaço após 24 horas sem dormir (preto).
Conclusões
Os resultados mostram que o grau de perda de função cognitiva associada à privação de urinar é muito maior, ou pelo menos igual, às condições que estão associadas a um elevado risco de acidente. Talvez esta condição fisiológica também devesse ser considerada como fator de risco para a ocorrência de acidentes.
Fonte: Lewis, M. S., P. J. Snyder, R. H. Pietrzak, D. Darby, R. A. Feldman, and P. Maruff. “The Effect of Acute Increase in Urge to Void on Cognitive Function in Healthy Adults.” Neurourology and Urodynamics 30, no. 1 (2011): 183-87. http://dx.doi.org/10.1002/nau.20963.
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