O osso peniano é também conhecido por báculo e trata-se de um osso rígido que desce pelo meio do pénis de alguns mamíferos. No caso das lontras fluviais do Canadá, o báculo está a ficar mais fraco devido a poluentes ambientais, segundo avança um grupo de investigadores.
Hidrocarbonetos causando o enfraquecimento
O estudo foi publicado, por cientistas do Canadá, na revista Chemosphere. O trabalho publicado dá a conhecer que poluentes ligados à extração de petróleo e gás podem estar a causar o enfraquecimento do báculo de machos de Lontra canadensis.
Apesar de não estar presente em humanos, o osso peniano é extremamente importante na reprodução e rituais de acasalamento de vários mamíferos. Também pode parecer pouco comum olhar para esta característica quando se procuram os impactos ambientais de poluentes. Porém, devido ao papel importante deste osso na cópula, as suas características tornam-se um bom indicador para avaliar o estado das populações animais.
As carcaças de lontras foram capturadas em Alberta, e o seus ossos penianos foram analisados juntamente com os contaminantes presentes no fígado e no ambiente em redor. Salienta-se ainda o facto da zona de recolha das carcaças coincidir com uma região de extração e destilação intensa de petróleo bruto.

Os resultados mostraram que tanto os fígados dos animais como o ambiente envolvente apresentavam concentrações apreciáveis de compostos aromático policíclicos (CAP) com origem na industria do petróleo. Além disso, foi possível verificar uma relação entre a quantidade destes compostos nos fígados dos animais e a densidade óssea dos respetivos báculos. Quanto maior a concentração de CAPs no fígado, menor a densidade óssea do báculo desses animais, sugerindo o seu enfraquecimento.
Também os locais com níveis mais elevados de metais tóxicos, como o cádmio e o tálio, correspondiam ao habitat das lontras com o báculo mais fraco. Interessantemente, outros metais, como o estrôncio e o ferro, relacionaram-se positivamente com a densidade óssea do báculo, sugerindo um efeito protetor.
Os investigadores alertam para o facto destas lontras fluviais servirem de indicador das alterações ambientais daquela região. Este enfraquecimento do báculo pode ter consequências graves na manutenção da população de lontras. Apesar de não existirem dados relativos à força do báculo na reprodução das lontras, outros estudos mostram que ursos com báculos mais fortes têm mais descendentes.
Fonte: Thomas, P. J., Newell, E. E., Eccles, K., Holloway, A. C., Idowu, I., Xia, Z., Hassan, E., Tomy, G., & Quenneville, C. (2020). Co-exposures to trace elements and polycyclic aromatic compounds (PACs) impacts North American river otter (Lontra canadensis) baculum. Chemosphere, 128920. 10.1016/j.chemosphere.2020.128920

