
Era uma vez uma quinta-feira em que o mundo quase acabou. Tudo era deserto, cinzento, amarelado nas pontas e incrivelmente reluzente nos cantos superiores esquerdos das caixas de donuts da casa do mestre André. E apesar de eu assistir regularmente a um episódiozeco de The Walking Dead, mal algum sai, não me vou pôr para aqui a dizer que toda a raça humana virou seres extremamente esfomeados, desfigurados, despenteados e hipnotizados por algo que se mexa e grite. Eles apenas foram guardados em redomas de vidro debaixo do Pacífico este, conviveram com todas e mais algumas espécies marinhas, visualizaram o mais profundo do oceano e nem sequer morreram! E agora só posso dizer uma de duas coisas e ofereço-vos todo o meu poder de decisão: “viva o vidro!” ou “impossibru!”
Mas como é naturalmente considerável e óbvio é que nem tudo foi passar férias debaixo de água ou desapareceu do alcance da vista. Uma espiguinha sobreviveu. E graças a quê, a quê caros Barbaritanos? A um pontapé na biquinha! Têm todo o direito em pensar que talvez uma espiga não seja a criatura mais rápida e espectável de resistir a um ataque terrestre desta dimensão e até de perguntar o que raio é um pontapé na biquinha! De facto, um destes pontapés pode ser fatal para as unhas dos pés de qualquer humano e foi isto que aconteceu por todo o mundo. Por exemplo, o Ex.mo Sr. Paulo Portas não sofreu qualquer dano proveniente desta tortura. Previu o futuro comprando submarinos; afinal, ele sabia que algo deste género iria acontecer mas não quis avisar ninguém: shame on you, Ministro dos Negócios Estrangeiros! Felizmente (desculpem a demora, os ataques de tosse acontecem!) ou infelizmente levou consigo todos os outros ministros, ministras, secretários, presidentes e pessoas importantes e civilizadas do nosso querido parlamento. E sem saber (será?) acabou também por salvar a cambada de ladrões, corruptos, vigaristas e mentirosos mais conhecida e popular por entre os jornais, revistas e anúncios televisivos para sardinhas enlatadas: oh, talvez sejam os mesmos!
Voltando à inocente espiga: ela continua ali, no campo da tia Rosa Matilde porque um grande panda vindo do espaço caiu por cima dela e a protegeu aquando dos ataques na biquinha. Embora um pouco esmagada e esgazeada do floema continua a abanar bela e amarela ao sabor do vento agora feito pelos narizes de dois papa-formigas que entretanto só têm focinho. Num universo paralelo isto aconteceu: e a gloriosa espiguinha conseguiu colocar o mundo exactamente igual, colocar-me a mim sentada numa cadeira, o computador à minha frente, a minha internet um pouco lenta, mas enfim, e uma ideia excelente a circular!
Agradeçam todos à espiguinha por estarem onde estão!
Continuação de boas viagens marítimas, Barbaritanos!
P.S. Não me peçam para explicar quão destruidor um pontapé na biquinha consegue ser ou simplesmente definir do que se trata. Para isso teria de vos demonstrar a técnica de chegar ao intervalo entre a unha e o dedo do pé grande mesmo calçando botas. Dificílimo!
