Plantas como a hera venenosa e a urtiga podem causar muita dor, mas não se comparam à árvore Gympie-Gympie. As folhas desta árvore podem deixar as pessoas a necessitar de cuidados intensivos e induzir agonia com durações de vários dias até meses.
Relatos não verificados, dão conta que animais necessitam de ser sacrificados depois de encontros com estas árvores. Os primeiros estudos científicos acerca destas toxinas só iniciaram recentemente e os resultados já surpreenderam os investigadores. De acordo com esses resultados, estas moléculas são mais parecidas com certos venenos de animais, como as aranhas, do que com as defesas conhecidas das plantas.
Estas árvores, como não podia deixar de ser, são comuns e quase restritas ao continente australiano.

Árvore Gympie-Gympie
As folhas da árvore Gympie-Gympie são como as da maioria das plantas do género, com tricomas que injectam as toxinas na hipoderme da pele. Os tricomas não são mais que estruturas final, tipo agulhas, com cerca de 5 mm e que injetam as toxinas quando em contacto com a pele.
No entanto, a dor é muito mais duradoura porque em vez de histaminas e ácido fórmico usados por outras plantas, as Gympie-Gympie usam proteínas neurotóxicas.
Na revista científica Science Advances, a Dr. Irina Vetter relata que essas neurotoxinas são uma nova classe de pequenas proteínas, batizando-as de gympietides em homenagem à árvore.
Estas proteínas, apesar da origem em plantas, tem estrutura 3D semelhante às toxinas da aranha, por exemplo, actuando nos mesmos recetores de dor.
Este é, portanto, um raro exemplo de evolução convergente abrangendo os reinos animal e vegetal. A dor que induzem parece ser resultado da alteração dos canais de sódio nos neurónios dos animais que tocam as folhas. Esta alteração tende a levar algum tempo a reverter.
Perceber como funcionam estas novas toxinas e de que forma são capazes de causar um efeito tão persistente, podem trazer avanços científicos significativos. Nomeadamente, no que diz respeito a formas de aliviar a dor que quem é picado acidentalmente ou com o intuito de desenvolver estratégias para atuar em situações de dor crónica.
Umas das questões que fica ainda por esclarecer, é o porque do desenvolvimento de tais toxinas.
Fonte: IFLScience

