Um estudo, publicado em 2017 pelo investigador James Cole da Universidade de Brighton no Reino Unido, dá a conhecer o poder calórico de uma dieta canibalista humana.
A investigação realizada por James Cole foi publicada numa das revistas Nature e compara as calorias de uma dieta canibalista com as dietas de carnes de outros animais no período Paleolítico.
Carne humana é menos calórica
James Cole determinou qual seria a massa média de cada uma das partes do corpo humano e quantificou o valor nutricional de cada uma dessas partes se fossem ingeridas as proteínas e gordura de cada uma dessas porções. A tabela abaixo mostra o valor nutricional de cada uma das partes do corpo humano admitindo a composição corporal da época Paleolítica:
| Parte do Corpo | Massa média (kg) | Valor Nutricional (Gordura + Proteína) (kcal) |
| Músculo esquelético total: | 24,90 | 32375,50 |
| *Tronco e Cabeça | 4,17 | 5418,67 |
| *Braço | 5,73 | 7451,16 |
| *Antebraço | 1,28 | 1664,48 |
| *Coxas | 10,27 | 13354,88 |
| *Pés | 3,45 | 4486,30 |
| *Cérebro e espinal medula | 1,69 | 2706,00 |
| *Pulmões | 2,06 | 1596,50 |
| *Coração | 0,44 | 650,75 |
| *Rins | 0,35 | 376,00 |
| *Fígado | 1,88 | 2569,50 |
| *Tecido Adiposo | 8,72 | 49938,50 |
| *Pele | 4,91 | 10278,00 |
| *Esqueleto | 10,31 | 25331,50 |
| Dentes | 0,04 | 36,00 |
| Tecido Nervoso | 1,53 | 2001,00 |
| Tracto Digestivo | 1,23 | 1263,25 |
| Baço | 0,15 | 128,33 |
| Pâncreas | 0,09 | 160,50 |
| Tecido restante: líquido | 1,03 | 469,50 |
| Sólido | 6,66 | 13890,50 |
| Total | 65,99 | 143771,33 |
| Total* | 55,26 | 125822,25 |
- * Partes do corpo humano que se assume terem sido consumidas com regularidade na altura com base em estudos etnográficos e fontes arqueológicas.
Os dados foram mais longe e o investigador avança ainda com determinações do valor nutricional da carne humana em diferentes estádios de desenvolvimentos, desde as crianças até aos adultos passando por vários períodos de adolescência.
Além disso, foram realizadas comparações do valor nutricional da carne humana com a carne de outros animais que compunham a fauna da época. Os resultados mostram que o homem tem um valor nutricional muito semelhantes ao de outros animais com o mesmo peso corporal e que está abaixo de outros animais que se encontravam à disposição na altura. Estes dados indicam que a prática de canibalismo era motivada por outros fatores para além da necessidade nutricional.
Fonte: Cole, J. (2017). “Assessing the calorific significance of episodes of human cannibalism in the Palaeolithic.” Scientific Reports 7: 44707.
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