Hoje o tema do Espaço Saúde que é talvez ainda um pouco tabu e que envolve o desenvolvimento sexual masculino e a interligação com o sistema hormonal e que ambos dependem de um sistema complexo de feedback que envolve os testículos, a hipófise e o hipotálamo modulados pelo sistema nervoso central. Em seguimento disto, pretendo realçar que a disfunção sexual masculina pode ser secundária a hipogonadismo, doenças neurovasculares ou fármacos.
Começando pelo início da regulação endócrina, o hipotálamo é o responsável por produzir a hormona libertadora de gonadotrofina (GnRH) atuando na glândula da hipófise anterior, desencadeando a GnRH a produzir a hormona luteinizante (LH) e a foliculoestimulante (FSH). Ou seja, o hipogonadismo ocorre quando existe uma variação na amplitude, frequência e variação diurna nos pulsos de libertação da GnRH. Em contrapartida, a produção e estimulação contínua pelos agonista da GnRH suprimem a libertação de LH e FSH e, consequentemente de testosterona que está diretamente associada à libertação destas hormonas. Nos testículos, a presença de células de Leydig respondem à produção de LH produzindo a testosterona. Para quem não sabe, os níveis desta são variáveis ao longo do dia, tendo a sua maior expressão de manhã e menor durante o final da tarde.
Uma pequena percentagem da testosterona é convertida num metabolito mais potente que é a hidrotestosterona (DHT) que tem um papel fundamental na próstata atuando como mediadora na alopecia androgenética. Outra parte da testosterona é convertida em estradiol que medeia a ação da testosterna nos órgãos como ossos e cérebro. Na espermatogénese é necessário ter níveis adequados de testosterona intratesticular.
Para além de tudo que já foi mencionado, a testosterona e DHT apresentam outros efeitos no metabolismo do indíviduo, e não só, tais como:
- Estimular o anabolismo proteico: aumento da massa muscular e densidade óssea;
- Estimular a produção de eritropoietina renal aumentando o número de glóbulos vermelhos;
- Estimular as células-tronco da medula óssea que modulam o sistema imunitário;
- Causar efeitos cutâneos como a produção sebácea e crescimento do cabelo;
- Causar efeitos neuronais afetando a cognição, aumentando a libido e, possivelmente, o instinto agressivo.
A testosterona, a DHT e o estradiol apresentam feedback negativo sobre o eixo hipotalámico-hipofisário. O estradiol inibe a produção de LH, já a FSH é inibida por um peptídio que é produzido pelas células de Setoli presentes nos testículos. A espermatogénese é o processo pelo qual ocorre formação de espermatozóides que dura cerca de 72 horas a 74 dias produzindo-se cerca de 100 milhões de espermatozóides.
A DHT promove o desenvolvimento dos órgãos genitais externos masculinos, com níveis de testosterona mais elevados no 2º trimestre de gravidez e caem até praticamente zero ao nascimento. A produção de testosterona volta a subir novamente e rapidamente durante os primeiros 6 meses de vida, permanecendo novamente baixos até a puberdade. Os mecanismos que iniciam a puberdade são incertos, mas no início desta o hipotálamo torna-se menos sensível aos efeitos inibitórios das hormonas sexuais. Essa dessensibilização aumenta a secreção de LH e FSH, correspondendo à secreção da GnRH e estimulando a produção de testosterona e espermatozóides.
Qual o efeito do envelhecimento nesta regulação?
A secreção de GnRh, a resposta das células de Leydig, a produção de FSH e LH diminuem com o avançar da idade. Nos idosos, todos estes valores são mais baixos. Ainda muito antes, por volta dos 30 anos de idade, começa a queda do número de células de Leydig. Em contrapartida, os níveis de FSH e LH tendem-se a manter normais ou ligeiramente acima dos valores normais. A estas alterações todas designamos de andropausa, embora não seja possível verificar nenhum mudança abrupta nos níveis hormonais como o que é verificado na menopausa, nas mulheres. A queda da testosterona pode contribuir para a deficiência de androgénio do homem idoso que envolvem perda muscular, aumento da deposição de gordura, osteopenia, perda de libido e disfunção erétil e declínio cognitivo. Assim, diagnosticamos hipogonadismo podendo haver a possibilidade de reposição de testosterona.

