Com o avançar da pandemia COVID-19, novas variantes de SARS-CoV-2 têm preocupado os cientistas sobre se as actuais vacinas como a da Moderna e da Pfizer/BioNTech manterão a mesma eficácia que obtiveram nos ensaios clínicos. Três preprints (i.e. artigos científicos em fase de pré-publicação) publicados na plataforma online bioRxiv no passado dia 19 de Janeiro vêm providenciar informação relativamente a essa questão.
Um dos estudos investigou os efeitos de algumas das mutações presentes na variante 501Y.V2, inicialmente detectada em África do Sul, utilizando amostras de soro de um pequeno grupo de pessoas que previamente receberam a vacina da Moderna ou da Pfizer/BioNTech. Essas amostras foram então expostas a vírus SARS-CoV-2 sintéticos contendo algumas das mutações da variante em estudo. Os resultados demonstraram que estes vírus foram capazes de escapar aos anticorpos de forma mais eficiente, requerendo um número de anticorpos oito vezes superior para ser capaz de os neutralizar. No entanto é importante ter em conta que estes resultados foram obtidos de amostras de apenas 44 pessoas, sendo todas elas da mesma faixa etária e grupo racial, dois factores cruciais no que toca aos efeitos causados pela COVID-19.
Noutro estudo, foi avaliada a eficácia da vacina da Pfizer/BioNTech contra 10 mutações presentes na proteína S da variante britânica. Os resultados demonstram que este vírus foi facilmente neutralizado pelos anticorpos presentes nas amostras, indicando a provável eficácia da vacina contra esta variante. Foram utilizadas amostras de 16 pessoas.
O terceiro estudo usou amostras de soro de 20 pessoas que receberam a vacina da Moderna ou da Pfizer/BioNTech de modo a explorar de que forma a imunidade induzida pela vacina era capaz de responder a mutações específicas que podem ser encontradas na proteína S. Infelizmente a eficácia do soro contra os pseudovírus que continham mutações demonstrou ser menor que que contra a variante dominante.
É no entanto de relembrar que, tal como disse ao jornal “Associated Press” o imunologista E. John Wherry, da Universidade da Pensilvânia, apesar das vacinas poderem não conferir o mesmo nível de protecção verificado nos ensaios clínicos continuam a ser altamente eficazes, sendo uma das principais ferramentas que temos para o tratamento desta pandemia.
Contudo esta evidência não é já razão para desanimar, mas sim para nos relembrar que não podemos confiar apenas na vacina e que cabe a cada um de nós fazer a sua parte. Devemos seguir as recomendações da DGS e da OMS tais como a higienização das mãos, o uso de máscara e o distanciamento social. Dias melhores virão.
E por favor, neste momento FIQUEM EM CASA.
Fontes:
Lisa Winter. “New SARS-CoV-2 Variant Could Evade Antibodies”. The Scientist. Jan 22, 2021

