Visão geral sobre a Sífilis…
A sífilis é uma doença provocada pelo microorganismo, mais concretamente, pela bactéria Treponema pallidum, em forma de espiroqueta que não pode sobreviver muito tempo fora do corpo humano. Na sífilis sexualmente adquirida, o Treponema pallidum entra pelas membranas mucosas ou pela pele, alcançando os linfonodos proximais dentro de horas e rapidamente é disseminado por todo o corpo.

Figura 1 – Desenho esquemático da bactéria Treponema pallidum.
A sífilis pode ocorrer em 3 etapas com base na sua classificação:
- Sífilis primária;
- Sífilis secundária;
- Sífilis terciária.
Normalmente, uma pessoa infetante permanece ativa nas duas primeiras fases.
A infecção pelo Treponema ocorre geralmente por transmissão sexual incluindo genital, orogenital e anogenital, mas também pode ser transmitida não sexualmente por contato cutâneo ou transplacentário, causando sífilis congénita. O risco de transmissão é de aproximadamente 30% com um único contacto sexual com uma pessoa com sífilis primária e de 60 a 80% de uma mãe infetada para o feto. Uma infeção anterior não confere imunidade.
Sintomatologia da Sífilis
A sífilis pode ser diagnosticada em qualquer fase e pode afetar um ou múltiplos órgãos.
1. Sífilis primária
Após um período de incubação de 3 a 4 semanas, uma lesão primáriadesenvolve-se no local de inoculação. A primeira lesão a surgir normalmente é uma úlcera indolor com uma base firme; no entanto, quando inflamada, escoa um soro claro que contém numerosas espiroquetas características do Treponema. Nestes casos, os linfonodos proximais são firmes, discretos e não dolorosos.
As primeiras lesões surgem no pénis, anûs e reto, nos homens. Já no caso das mulheres, as primeiras lesões podem surgir na vulva, cérvice, reto e períneo. Em ambos os sexos, o que se torna comum são as lesões possíveis nos lábios e orofaringe.

Figura 2 – Máculas sifilíticas e ulcerações superficiais.
2. Sífilis secundária
A espiroqueta é disseminada pela corrente sanguínea produzindo lesões mucocutâneas generalizadas, ocorrendo nestes casos edema dos linfonodos e, menos comumente, sintomas em outros órgãos.
Os sintomas tipicamente começam 6 a 12 semanas depois do aparecimento da lesão. Os principais sintomas incluem febre, perda de apetite, mal-estar, anorexia, náuseas e fadiga. Cefaleia (devido à meningite), perda auditiva (devido à otite), problemas de equilíbrio (devido à labirintite), distúrbios visuais (por causa de retinite ou uveíte) e dor nos ossos (decorrente de periostite) também podem ocorrer.
Mais de 80% dos pacientes apresentam lesões mucocutâneas; uma grande variedade de exantemas e estas lesões ocorrem em qualquer superfície do corpo. Sem tratamento, as lesões podem desaparecer em poucos dias a semanas, persistir por meses ou, com o tempo, desaparecerem sem cicatrizes.
A sífilis secundária, contrariamente à primária, pode afetar muitos outros órgãos, sendo que cerca da metade dos pacientes apresentam linfadenopatia, normalmente generalizada, com nódulos discretos não dolorosos e firmes, e na maioria das vezes hepatosplenomegalia.
Sífilis latente pode ser precoce (< 1 ano após a infeção) ou tardia (≥ 1 ano após a infeção).
Não há sinais e sintomas, mas os anticorpos detectados pela serologia para sífilis persistem. Como os sintomas da sífilis primária e secundária são ocasionalmente mínimos ou ignorados, os pacientes são, com frequência, diagnosticados na fase latente, por meio de serologia para sífilis.
3. Sífilis terciária ou tardia
Aproximadamente um terço das pessoas sem tratamento desenvolve sífilis tardia, embora, algumas vezes, não muitos anos depois da infeção inicial.
Outras lesões
Podem ocorrer manifestações sifilíticas oculares e óticas em qualquer fase da doença.
Diagnóstico da Sífilis
- Serologias reagínicas (reagina plasmática rápida [RPR] ou Venereal Disease Research Laboratory [VDRL]) para exame de sangue e diagnóstico de infecções do Sistema Nervoso Central.
- Serologias treponémicas
- Absorção de anticorpo treponémico fluorescente ou ensaio de micro-hemaglutinação para anticorpos contra Treponema pallidum.
Os testes diagnósticos realizados dependem da fase da sífilis da qual se suspeita. Infeção neurológica é mais bem detectada por testes reagínicos quantitativos do LCR. Os casos devem ser notificados aos órgãos de saúde pública.
Tratamento da Sífilis
- Penicilina benzatina para a maioria das infeções – TRATAMENTO DE ELEIÇÃO
- Penicilina aquosa para a sífilis ocular ou neurossífilis;
- Tratamento dos parceiros sexuais.
- Deve-se tratar empiricamente a sífilis precoce nas pessoas que tiveram contato sexual com um paciente nos 90 dias antes do diagnóstico de sífilis primária, secundária ou latente precoce, mesmo que os resultados das serologias sejam negativos.
- Deve-se tratar presuntivamente sífilis precoce nas pessoas que tiveram contato sexual com um paciente > 90 dias antes do diagnóstico de sífilis primária, secundária ou latente precoce se os resultados dos testes serológicos não estão disponíveis imediatamente e a oportunidade de acompanhamento é incerta. Se os testes serológicos são negativos, não é necessário tratamento.
Vigilância pós-tratamento
Após o tratamento, os pacientes devem fazer:
- Exames e testes reagínicos aos 3, 6 e 12 meses e anualmente, depois disso, até que se tornem não reagentes ou até que uma redução 4 vezes maior durável no título seja alcançada.
- A ausência de redução do título em 4 vezes, após 6 meses, sugere falha do tratamento.
- Após o sucesso do tratamento, as lesões primárias se curam rapidamente e os títulos reagínicos diminuem, em geral tornando-se qualitativamente negativos dentro de 9 a 12 meses.
- Pacientes com neurossífilis devem ser submetidos a testes de LCR a cada 6 meses, até que a celularidade do líquor esteja normal. Para neurossífilis, a punção lombar a cada 6 meses é necessária até que a celularidade esteja normal.
Resumo da doença da Sífilis
Para resumir, a sífilis trata-se então de uma doença sistémica provocada por uma bactéria, Treponema pallidum, caracterizada por 3 fases clínicas sequenciais e sintomáticas separadas por períodos de infecção latente assintomática. A principal sintomatologia inclui úlceras genitais, lesões cutâneas, meningite, doença aórtica e síndromes neurológicas. O diagnóstico é feito por serologias. O principal tratamento recai sobre a utilização de Penincilina.
Artigo: Anais Brasileiros de Dermatologia, On-line version ISSN1806-4841, An. Bras. Dermatol. vol.81 no.2 Rio de Janeiro Mar./Apr. 2006 – Sífilis: diagnóstico, tratamento e controle, por João Carlos Regazzi AvelleiraI; Giuliana BottinoIIDOI: https://doi.org/10.1590/S0365-05962006000200002
Figuras: 1 2

