Um sal de Bechgaard é qualquer tipo de complexo orgânico de transferência de carga que exibe supercondutividade a baixas temperaturas. Estes sais são assim denominados em homenagem ao químico Klaus Bechgaard, o primeiro cientista a sintetizar este tipo de complexos e a demonstrar a sua supercondutividade, com a ajuda do físico Denis Jérôme. A maioria destes sais exibem supercondutividade a temperaturas extremamente baixas, e perdem esta característica acima de 1-2 K. No entanto, o sal de Bechgaard mais bem sucedido consegue funcionar como supercondutor até perto de 12 K.
Todos os sais de Bechgaard são formados usando uma molécula orgânica planar e pequena como dador de electrões, juntamente com um de diversos aceitadores de electrões, tais como perclorato (ClO4) ou tetracianoetileno (TCNE). As moléculas orgânicas dadoras de electrões usadas nestes complexos possuem sistemas heterocíclicos que apresentam diversas propriedades – planaridade, baixo potencial de ionização e grande sobreposição de orbitais entre heteroátomos de moléculas dadoras vizinhas. São estas propriedades que permitem que o sal resultante seja capaz conduzir electrões pelas orbitais não ocupadas da molécula dadora.

Tetratiafulvaleno, motivo estrutural presente na maioria dos sais de Bechgaard
Todos os sais de Bechgaard possuem variações num único motivo tetratiafulvaleno – diferentes supercondutores têm sido sintetizados com grupos funcionais extra a este motivo, ou usando um centro tetraselenafulvaleno, mas todos possuem a mesma estrutura geral.
Fonte: Wikipédia

