Nos últimos dias, muito se tem falado acerca do incêndio na floresta Amazónia. As redes sociais e os meios de comunicação reportam o assunto um pouco por todo o mundo. E, no meio das questões políticas e ambientais, tem-se falado do facto da Amazónia ser o pulmão da Terra e produzir cerca de 20% do oxigénio da atmosfera.
No entanto, esta informação tem sido mal interpretada. Inclusive, o presidente francês, num tweet, declara que a floresta Amazónia está a arder e que esta é responsável pela produção de cerca de 20% do oxigénio do planeta.

Uma ideia errada
Neste artigo, vamos desmistificar esta ideia que tem circulado pelas redes sociais e mais de comunicação social.
Quase todo o oxigénio livre na atmosfera é produzido pelas plantas através da fotossíntese. Desta fração, cerca de um terço ocorre nas chamadas florestas tropicais, das quais a floresta Amazónia ocupa a maior fração.
No entanto, praticamente todo o oxigénio produzido pelas plantas ao longo de um ano é consumido pelos organismos vivos e incêndios.
Assim sendo, o balanço na produção de oxigénio pelas plantas e o seu consumo por todos os organismos é praticamente zero.

Vários fenómenos têm contribuído para que a concentração de oxigénio na atmosfera se mantenha mais ou menos constante. Por exemplo, a própria oxidação do ferro (ferrugem) é um processo que consome oxigénio e ajuda a manter os níveis atmosféricos de oxigénio.
Apesar das plantas serem a fonte de oxigénio para a respiração dos organismos vivos, não há razão para alarme. Existe oxigénio no ar suficiente para vários milhões de anos. Esta quantidade de oxigénio é mantida graças a um equilíbrio geológico e não é muito afectado pelo seu consumo. Se toda a matéria orgânica (todas as florestas, plantas, animais…) fosse queimada de uma só vez em todo o planeta, apenas 1% do oxigénio seria consumido.
Apesar dos incêndios na Amazónia terem um impacto totalmente negligenciável nas concentrações atmosféricas de oxigénio, a perda de uma das mais ricas regiões, em termos de biodiversidade, é mais do que motivo para lutar. Não podemos continuar a compactuar com a destruição da biodiversidade no nosso planeta Terra.

