Os acufenos, também designados de tinnitus ou zumbidos, correspondem a uma perceção de um som no ouvido ou cabeça, uni ou bilateral, sem existir propriamente um estímulo externo.
Estes acufenos podem ter origem em qualquer parte do sistema auditivo e são um sintoma muito comum que pode afetar qualquer pessoa independentemente da idade ou género. No entanto, é mais frequentemente encontrada no género masculino.
Os acufenos são considerados um sintoma e não uma doença e o tipo e intensidade do som presente no ouvido varia muito de pessoa para pessoa, podendo ser constante, intermitente ou pulsátil.
Estes causam muito incómodo pelas pessoas que o relatam, raramente estão associados a doença grave, no entanto, podem piorar com a idade e na maioria dos casos são tratáveis.

Figura 1 – Zumbido no ouvido.
Causas dos acufenos
Em muitos dos casos, não se consegue identificar uma causa exata dos acufenos, no entanto, sabe-se que uma das causas mais comuns são as lesões ocorridas no ouvido interno. Também a perda da audição associada à idade, nomeadamente a partir dos 60 anos de idade, é sim uma causa frequente de acufenos.
| Os acufenos podem associar-se a diversas situações: |
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A exposição ao ruído é importante no contexto profissional e ocorre também associada ao uso de auscultadores para ouvir música. Nestes casos, os acufenos podem ser de curta duração, como acontece após um concerto, ou serem mais prolongados, traduzindo uma lesão mais grave.
O tabaco é também um fator de risco para o desenvolvimento de acufenos.
Manifestação clínica dos acufenos
Os acufenos correspondem a uma sensação desagradável de som na ausência de um estímulo sonoro e esses sons podem estar associados a qualquer imitador de som (animais, utensílios, aparelhos, etc.). Estes sons-fantasma podem variar de intensidade e podem ocorrer num ou nos dois ouvidos, ou seja, uni ou bilateralmente. Em alguns casos, podem ser tão intensos que interferem com a capacidade de concentração ou na audição de sons reais.
Os acufenos podem estar sempre presentes na nossa audição ou apresentarem-se de forma intermitente. Os acufenos podem ser subjetivos, quando são ouvidos apenas pelo paciente, ou objetivos, quando o médico também os consegue ouvir. Este tipo é mais raro e pode resultar de anomalias vasculares, alterações nos ossos do ouvido ou contrações musculares.
É importante reforçar que os acufenos afetam de modo significativo a qualidade de vida dos pacientes, causando fadiga, stress, alterações no sono e na concentração, problemas de memória, depressão, ansiedade ou irritabilidade.
Diagnóstico dos acufenos
O exame médico é muito importante e deve englobar uma análise clínica atenta dos ouvidos, cabeça e pescoço, de modo a se tentar detetar a causa dos acufenos. Esse exame tipicamente engloba um audiograma, avaliação do movimento, estudos por imagem (tomografia ou ressonância).
Em muitos casos, a causa dos acufenos não é detetada.
Tratamento dos acufenos
O tratamento dos acufenos varia de pessoa para pessoa mas essencialmente consoante a causa e, portanto, diferentes causas têm abordagens diferentes. A maioria das abordagens utilizadas recorre a medicamentos ou à terapêutica designada por TRT (Tinnitus Retraining Therapy). Nesta técnica de tratamento, recorre-se a um dispositivo portátil programado para mascarar as frequências específicas dos acufenos de cada paciente.
Também a remoção de cerúmen dos ouvidos pode ajudar a reduzir os sintomas.
Sempre que existirem alterações vasculares, elas deverão ser tratadas.
É importante rever toda a medicação em curso, porque, como se referiu, alguns medicamentos podem ser a causa de acufenos.
O tratamento também se pode basear na utilização de dispositivos eletrónicos que emitem o ruído ouvido pela pessoa e, em simultâneo, podem produzir sons relaxantes (chuva, mar) e que são bastante eficazes para apaziguar o zumbido sentido.
O recurso a uma ventoinha, desumidificador ou ar condicionado no quarto durante a noite gera também um ruído branco que pode ajudar a suprimir os acufenos.
Como prevenir os acufenos?
A prevenção dos acufenos passa essencialmente por evitar locais ruidosos, no entanto, se tal não for possível, é fundamental recorrer a proteção auditiva adequada.
É fundamental ainda evitar a ingestão de café, chá preto, chocolate ou outras substâncias que contenham cafeína; assim como reduzir a ingestão de bebidas alcoólicas e o consumo de tabaco.
O controlo da pressão arterial é ainda crucial para evitar este tipo de acufenos, dado que, muitas das vezes este pode estar associado ao seu surgimento, nomeadamente se as pulsação é muito intensa e se as veias se encontram muito junto do ouvido interno.
Acopladamente ao que já foi referido, é fundamente que quando se utilizam auscultadores para ouvir música, se deva manter o volume num nível não muito elevado.
Fontes: CUF – Acufenos; Faculdade Medicina Lisboa – Acufenos: revisão sistemática, por André Ferreira Oliveira; Acufenos, por Rémy Pujol, Jean Luc Puel, Frédéric Venail
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