O tema de hoje envolve de forma direta a nossa saúde e a alimentação, ou seja, a influência daquilo que comemos naquilo que somos. Atualmente, utilizam-se diferentes tipos de dieta com atribuições de alimentos diferentes para amenizar e tratar determinadas patologias ou disfunções orgânicas passageiras. Assim, a estimada conhecida terapia à base da dieta, é considerada uma prática de base biológica, que utiliza regimes alimentares muito determinados e especializados, com o objetivo de tratar ou prevenir alguma doença específica – nomeadamente, o cancro (medida preventiva) e as doenças cardiovasculares; promover o bem-estar geral das pessoas e desintoxicar o organismo neutralizando ou eliminado as toxinas nefastas a este. Normalmente, as dietoterapias, assim designadas, demoram meses a anos a surtir efeitos máximos na população que dela pratica.
O que é uma dieta?
Uma dieta, de forma geral, caracteriza-se por tudo aquilo que uma pessoa ingere, independentemente do objetivo a que a sua ingestão se destina, perder ou ganhar peso, reduzir a ingestão de gorduras, evitar os carboidratos ou se simplesmente não se destina a qualquer objetivo.
É importante referir que, as dietas saudáveis padrão para as crianças e adultos são baseadas nas necessidades biológicas das pessoas, apresentando características como:
- Não precisarem de perder ou ganhar peso;
- Não precisarem limitar constituintes da dieta por causa de distúrbios, riscos ou idade avançada;
- Gastarem quantidades normais de energia por intermédio da prática de exercícios físicos ou atividades que desgastantes, que implique o dispêndio de energia.
Por exemplo, dietas especiais direcionam-se a pacientes que sofrem de diabetes, determinadas doenças renais e hepáticas, doença arterial coronária, níveis elevados de colesterol, osteoporose, doença diverticular, constipação, intolerâncias alimentares, entre outros. Existem recomendações dietéticas especiais para as crianças, mas quando se trata de outros grupos específicos de idade, como os idosos, a informação disponível é escassa.
Principais tipos de dieta associadas a terapia
Dieta de Ornish
É considerada uma dieta com origem no vegetarianismo, ou seja, associada a uma baixa ingestão de calorias visando ajudar a reverter bloqueios que causam doença arterial coronária. Para além disso também podem ajudar a prevenir ou reduzir a progressão de cancro da próstata, assim como os cancros em geral. No entanto, como é claramente compreensível, a sua eficácia ainda não é clara porque não foram realizados ensaios clínicos definitivos, daí que não deve haver uma fiabilidade a 100% neste tipo de dietas.

Figura 1 – Dieta de Ornish.
Dieta de Gerson
Esta dieta baseia-se, essencialmente, na ingestão de cerca de 7 a 9 kg de frutas e legumes, quer na forma sólida ou na forma de sumo, por dia. Associado a este tipo de ingestão frutícula, também compreende a ingestão de suplementos alimentares. Este tipo de dieta encontra-se, fundamentalmente, associado ao tratamento de cancro, doenças cardíacas, artrite, doenças autoimunes e diabetes; no entanto, mais uma vez não existem ensaios clínicos rigorosos para corroborar nenhuma dessas alegações.

Figura 2 – Dieta de Gerson.
Dieta Macrobiótica
Esta dieta consiste principalmente na ingestão equilibrada de vegetais, grãos integrais, frutas e cereais. Esta encontra-se diretamente relacionada com a prevenção e tratamento do cancro e outras doenças crónicas; no entanto, não há evidências clínica que corroborem a eficácia da dieta macrobiótica no tratamento do cancro. Para além disso, alguns riscos são importantes a considerar neste tipo de dietas, que incluem uma nutrição inadequada se a dieta não for seguida cuidadosamente.

Figura 3 – Dieta macrobiótica.
Dieta Paleolítica
Esta dieta consiste basicamente na ingestão de animais e plantas de forma global, ou seja, alimentos que eram anteriormente consumidos na era Paleolítica, dando esta origem ao tipo de dieta.
Assim, a dieta inclui uma maior ingestão de proteínas, uma diminuição da ingestão de carboidratos (prevalecem os vegetais e frutas frescas sem amido), maior ingestão de fibras, ingestão moderada a alta de gordura (evitando a ingestão de gorduras saturadas).
Acredita-se que este tipo de dieta paleolítica reduza o risco de doença coronária, diabetes tipo 2 e muitas doenças degenerativas crónicas, promove ainda a perda de peso nas pessoas com sobrepeso ou obesidade, melhora o desempenho atlético, o sono e a função mental.

Figura 4 – Dieta tradicional (atual) vs. dieta paleolítica.
Fontes: Manual MSD Versão para Profissionais de Saúde – Tratamento com dieta, Por Steven Novella, MD, Assistant Professor of Neurology, Yale University School of Medicine, Manual MSD Versão Saúde para a Família – Dietas, Por Adrienne Youdim, MD, Associate Professor of Medicine, David Geffen School of Medicine at UCLA; Associate Professor of Medicine, Cedars Sinai Medical Center, Revisão sistemática de dietas de emagrecimento: papel dos componentes dietéticos, Jussara C. de Almeida, Ticiana C. Rodrigues, Flávia Moraes Silva, Mirela J. de Azevedo, Dieta vegetariana : relevância na prevalência e outcomes em doenças crónicas, Ramalho, Francisco Barros, consultados no dia 28 de janeiro de 2019.

