Segundo um artigo científico publicado no passado dia 1 de janeiro na revista SocArXiv, é possível identificar alguns autores através do uso da sua pontuação. É claro que isso pode ser evidente para escritores como José Saramago que tinha uma forma muito própria de usar os sinais de pontuação. Porém, não seria de esperar que autores de artigos científicos e outros textos pudessem ser identificados através do uso da pontuação.
Neste artigo vamos olhar para este trabalho que fez uma avaliação exaustiva dos padrões de pontuação de vários autores.

Abordagem
Quando lemos um determinado texto, é natural identificarmos alguns traços de escrita relacionados com o autor, nomeadamente no que diz respeito ao uso das palavras e dos tempos verbais. No entanto, também a pontuação é um traço que pode caracterizar o autor. Neste trabalho levado a cabo por Mason A. Porter e seus colaboradores, foi avaliado o padrão de pontuação de diferentes escritores com o intuito de perceber se é possível:
- identificar o autor;
- identificar o género literário;
- identificar a evolução do autor ao longo do tempo.
Estas são algumas das questões que os autores deste trabalho tentaram responder.
No fundo, os investigadores pegaram nas obras literárias de alguns autores e criaram uma espécie de matriz com 3000 sinais de pontuação contabilizados a partir do meio da obra. Depois de recolhida essa informação, foi possível construir uma matriz com esses sinais de pontuação e respectivo “mapa térmico”. Na figura 2 podemos ver o exemplo do livro “King Lear” (em português “Rei Lear”) de William Shakespeare.


Figura 3 – Análise da pontuação da obra “The History History of Mr. Polly, of Mr. Polly” de Herbert Herbert George Wells George Wells 
Figura 4 – Análise da pontuação da obra “Sharing Her Crime” de Agnes May Fleming
Conclusões
Neste estudo foram usados vários documentos obtidos graças ao projecto Gutenberg e foi possível perceber que a análise exclusiva da pontuação usada nas obras é exacta o suficiente para distinguir estilos de escrita de diferentes autores.
Além disso, este trabalho incluí ainda análises interessantes relativamente ao uso de certos sinais de pontuação ao longo dos anos. Na comparação da figura 5, podemos verificar um aumento na tendência de usar aspas e pontos finais e uma forte diminuição no uso da vírgula.

Fonte: Darmon, A. N. M., Bazzi, M., Howison, S. D., & Porter, M. A. (2019, January 1). Pull out all the stops: Textual analysis via punctuation sequences. https://doi.org/10.31235/osf.io/2rzsg
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