A doença celíaca é uma doença relacionada com a imunidade de indivíduos geneticamente propensos, esta é causada por uma intolerância ao glúten e desencadeia uma inflamação ao nível da mucosa desenvolvendo má absorção por parte da mesma. E é sobre isto que o Espaço Saúde vem falar hoje. Entenda mais sobre esta problemática.
Figura 1 – Doença celíaca – sem glúten.
Sobre a doença celíaca…
A doença celíaca é considerada uma doença hereditária (com transmissão dos progenitores para os descendentes) causada por uma maior sensibilidade orgânica ao glúten (gliadina), considera uma proteína presente no trigo. No entanto, não é apenas do trigo que estes pacientes têm de se privar na sua alimentação, mas também de compostos como cevada e centeio, nos quais também é possível encontrar esta proteínas e outras semelhantes.
A junção do glúten com células T imunitárias encontradas em todos o organismo do paciente suscetível desencadeia uma resposta inflamatória, que pode ir de ligeira a severa, desencadeando uma atrofia ao nível das vilosidades da mucosa do intestino delgado e desenvolve a patologia mencionada.
A sua manifestação ocorre essencialmente na infância e, mais raramente, na fase adulta.
Sintomatologia da doença celíaca
A reação dos pacientes que apresentam a sensibilidade imunitária ao glúten é variável, como já referi, pode ser intercalada entre ligeira a severa. Assim, toda a apresentação clínica é variável e, portanto, muitos dos pacientes podem ser assintomáticos, podem apenas apresentar alguns sintomas de uma pequena deficiência nutricional ou, em casos mais severos, sintomas gastrointestinais bastantes complicados.

Figura 2 – Sintomatologia da doença celíaca.
O facto de a doença ser mais incidente nas crianças, tudo se correlaciona com o início da introdução de produtos alimentícios sólidos que contêm glúten e derivados que podem então desencadear esta doença nesta fase da vida. Assim, perante uma intolerância ao glúten, a criança começa a apresentar:
- Dificuldades no desenvolvimento;
- Apatia;
- Anorexia;
- Palidez;
- Hipotonia generalizada;
- Distensão abdominal;
- Perda considerável de massa muscular;
- Fezes moles, esfareladas, com cor de barro e mau odor.
Mais raramente, quando a doença surge na fase adulta, estes apresentam:
- Cansaço;
- Fraqueza;
- Anorexia, como sintomas mais habituais.
Também podem apresentar diarreia leve e intermitente, anemia, glossite, estomatite angular e úlceras aftoides, deficiência de vitamina D e cálcio.
Diagnóstico da doença celíaca
O diagnóstico da doença celíaca é realizado com base em:
- Marcadores sorológicos;
- Biópsia ao intestino delgado, tendo em conta que, esta patologia afeta esta órgão.
Inicialmente, o diagnóstico é realizado com base em alterações laboratoriais sugestivas da má absorção das proteínas (glúten) e a confirmação é realizada com base em biópsias de intestino delgado na segunda porção do duodeno. Aquando da observação das biópsias, deteta-se falta ou encurtamento das vilosidades (atrofia), células intraepiteliais aumentadas e hiperplasia das criptas intestinais. Também se pode detetar a presença de bactérias em crescimento anormal, enterite eosinofílica, intolerância à lactose e linfoma.
Para além destes testes diagnósticos fundamentais, tem-se ainda a deteção de eventuais anemias, redução de albumina, cálcio, potássio e sódio e aumento da fosfatase alcalina e tempo de protrombina, parâmetros todos estes alteráveis com a presença da doença celíaca.
Tratamento da doença celíaca
O tratamento da doença celíaca passa essencialmente pela:
- Dieta sem glúten;
- Ingestão de suplementos que têm como principal objetivo repor deficiências graves existentes ao nível orgânico.
No que diz respeito à dieta sem glúten devem-se evitar todos e quaisquer alimentos que contenham trigo, cevada ou centeio. O paciente deve ter em atenção todos os alimentos que ingere verificando s não contém nenhum dos compostos mencionados, dado que, apenas quantidades vestigiais de glúten podem induzir uma reação e dificultar a remissão da doença induzindo uma recaída.
A biópsia intestinal deve ser repetida após 3 a 4 meses de uma dieta sem glúten. Caso as anormalidades ao nível das vilosidades intestinais persistam, estas devem ser consideradas e o diagnóstico e, consequente tratamento deve ser considerado novamente.
Para avaliar a qualidade do diagnóstico, avalia-se a resposta do paciente aos tratamentos e se este responder mal ao tratamento de privação de alimentos sem glúten, então admite-se que o diagnóstico é incorreto ou a doença tornou-se refratária.
Figura 3 – Tratamento da doença celíaca.
Prognóstico da doença celíaca
A mortalidade pode chegar aos 30% em casos em que os pacientes não cumprem a dieta livre de glúten, no entanto, pode ser inferior a 1% se os pacientes adotarem uma alimentação equilibrada livre de alimentos ou compostos com glúten. As complicações mais severas que podem advir desta patologia são os linfomas do intestino que podem atingir cerca de 10% dos pacientes, doença celíaca refratária ou colagénica. Com a presença desta doença, carcinomas do trato digestivo são mais comuns de surgirem.
E por hoje aqui fica mais um tema sobre saúde, qualidade de vida e como colmatar um dos problemas de saúde que tem afetado cada vez mais os portugueses. Nunca hesite em conhecer mais sobre a saúde e a doença que abarcam os tempos atuais.
Fontes: Manual MSD – Doença celíaca; Associação Portuguesa de Celíacos APC – Doença celíaca; Associação Portuguesa de Nutrição – Doença Celíaca

