Hoje o tema do Espaço Saúde intitula-se de faringoamigdalite e trata-se de uma infecção aguda de faringe, amígdalas, ou ambas. Os sintomas incluem dor de garganta, disfagia, linfadenopatia cervical e febre. O diagnóstico é clínico. O tratamento depende dos sintomas e, em muitos dos casos, envolve antibióticos.

Figura 1 – Amigdalite. Amígdalas com aspeto purulento.
Sobre a faringoamigdalite…
A faringoamigdalite trata-se de uma infeção viral, na grande parte das vezes, causada por vírus associados aos resfriados, desde adenovírus, rinovírus, influenza, entre outros com menor impacto para esta patologia.
Alguma percentagem dos pacientes que desenvolvem esta infeção, a causa é bacteriana. As bactérias mais comumentemente envolvidas são o estreptococos beta-hemolíticos do grupo A (SBHGA), no entanto, também existe outras famílias de bactérias causadores de faringoamigdalite. A infeção por SBHGA é mais frequente na adolescência e raramente surge antes dos 3 anos de idade.

Figura 2 – Anatomia da boca. Tonsila palatina é considerada vulgarmente de amígdala.
Sintomatologia da faringoamigdalite
O principal sintoma e que caracteriza bem o problema é a dor no processo de deglutição que é, muitas vezes, referenciada com afetação nos ouvidos.
Em casos em que a patologia se manifesta nas crianças, os sintomas são mais fáceis de identificar ao observar a recusa a comer dada a incapacidade de deglutir e de saberem expressar essa situação.
Febre alta, cefaleias (dores de cabeça), um mal-estar associado a indisposição gastrintestinal são bastante comuns.
Na observação clínica ou não das amígdalas, verifica-se a presença de amígdalas edemaciadas e bastante vermelhas e, muito frequentemente apresenta, exsudato purulento.
De referir que, a presença de adenopatia, febre, petéquias no palato e exsudatos são mais frequentes em casos de infeção por SBHGA, de que os casos de faringoamigdalite viral. A infeção por SBHGA geralmente é tratada num período de sete dias, no entanto, se este tratamento não acontecer atempadamente pode desencadear problemas mais graves.

Figura 3 – Faringite estreptocócica.
Diagnóstico da faringoamigdalite
O diagnóstico desta patologia passa por uma:
- Avaliação clínica deve ser precoce (de forma a minimizar a sintomatologia);
- Verificar se é provocada por SBHGA por meio de testes rápidos ou cultura de antigénios.
A faringite é diagnosticada mais facilmente, no entanto, descobrir a sua causa é mais complicado. Normalmente, caracteriza-se pela presença de coriza e tosse que costumam indicar causa viral.
Sobre a infeção por SBHGA, esta deve ser diagnosticada precocemente. Para uma maior fiabilidade dos resultados deve-se realizar simultaneamente testes rápidos e cultura de antigénios para o diagnóstico de infeção por este tipo de bactérias. Este critério é mais aplicável em caso de crianças. Em adultos, deve-se ter em conta historial de febre, exsudatos amigdalianos, ausência de tosse e linfadenopatia cervical anterior e dolorosa. Se os pacientes adultos apresentarem um ou nenhum critério mencionado anteriormente, é pouco provável que a causa seja pelo SBHGA. Os pacientes que apresentem mais de três critérios podem ser tratados empiricamente para a bactéria em questão.
Tratamento da faringoamigdalite
O tratamento da faringoamigdalite passa pela realização de:
- Tratamento sintomático;
- Antibióticos para o SBHGA;
- Amigdalectomia, considerada viável para os pacientes SBHGA recorrentes (ou seja, aqueles que apresentam incessantemente infeções por esta bactéria e em que os antibióticos não são uma solução)
O tratamento pode ser efetuado à base de analgésicos, hidratação e repouso. Analgésicos podem ser sistémicos ou tópicos. Estes analgésicos tópicos podem ser na forma de pastilhas ou sprays e são responsáveis por reduzir a dor. A penincilina V é geralmente aconselhável para a faringoamigdalite por SBGGA.
O tratamento pode ser iniciado imediatamente ou até que os resultados dos exames de diagnóstico sejam conhecidos. Culturas que permitem avaliar a infeção são feitas rotineiramente em casos de pacientes que apresentam infeções recorrentes por SBHGA.
Tratamento da faringoamigdalite – Amigdalectomia
A amigdalectomia deve ser um caso a considerar em situações clínicas em que a infeção é provocada por SBHGA com mais de 6 episódios por ano, acima de 4 episódios por 2 anos ou mais de 3 episódios por ano por 3 anos. Outra das situações em que pode ser necessário realizar amigdalectomia é em casos de infeção aguda e que persista mesmo após o uso de antibióticos.
Amigdalectomia consiste no procedimento cirúrgico que permite remover na totalidade as amígdalas. São pequenas estruturas arredondadas em forma de amêndoa localizadas na parte posterior da boca, de cada um dos lados da garganta. A cirurgia é realizada com anestesia geral.

Figura 4 – Amigdalectomia.
E, assim termina mais um rubrica de hoje sobre saúde. Aqui está explicitada a forma como decorre uma faringoamigdalite e em que, muitos dos casos, os antibióticos não são suficientes para resolver o problema. Eu sou um exemplo de amigdalectomia após infeções recorrentes e sem resolução. Não deixem a vossa saúde em segundo plano!
Fontes: Manual MSD – Faringoamigdalites, CUF – amigdalectomia, MD Saúde – Faringite estreptocócia

