O que é a diástase abdominal?
A diástase abdominal trata-se de um afastamento que ocorre ao nível dos músculos abdominais e tecido conjutnivo e, que geralmente, ocorre durante o período da gravidez, sendo a principal causa da tradicional flacidez abdominal e dor lombar após o parto.
Este afastamento não acontece em todos as gestantes de igual forma, até porque em muito dos casos, este fator não é notório. No entanto, este afastamento pode atingir os 10 cm de distância com implicações reto abdominais, dado que causa uma fraqueza desta região devido ao estiramento que ocorre com o crescimento da barriga durante o período de gestação e à rápida perca de peso após o parto. Esta patologia encontra-se mais direcionada às mulheres que já foram, em alguma fase da sua vida, gestantes, no entanto, também pode ocorrer em pessoas que façam esforços físicos que envolva esta musculatura, nomeadamente no levantamento de pesos com uma carga elevada e se esta for feita de forma errónea.

Figura 1 – Diferença entre um abdómen normal e um abdómen com diástase. Representação esquemática de diferentes tipos de diástase.
Como identificar a presença de diástase abdominal?
A presença de uma diástase abdominal é sentida logo após o parto na região abaixo do umbigo, se esta se encontrar muito mole e flácida ou na presença de uma protuberância no abdómen ao elevar algum peso, a agachar ou simplesmente no ato de tossir.
Para confirmar a presença desta anomalia deve fazer um auto-teste deitando o corpo de barriga para cima e pressionar a zona acima e abaixo do umbigo 2 cm utilizando os dedos indicador e médio e, seguidamente contrair o abdómen, simulando a realização de um exercício de abdominal.
Após a realização deste pequeno teste, o normal que aconteça é que os dedos sofram um espécie de ricochete para cima ao contrair o abdómen. No entanto, na presença de diástase, os dedos são imóveis.

Figura 2 – Demonstração do exercício a realizar para identificar a presença de diástase abdominal.
Fatores de risco
Algumas situações que favorecem o desenvolvimento de diástase abdominal são ter mais do que uma gestação, em casos de gravidez de gémeos, gravidezes em que os bebés pesem mais de 4 kg ao nascer (fatores estes que promovem uma maior distensão abdominal) e a gestante ter uma idade superior a 35 anos, dado que as fibras elásticas e musculares degradam com a idade.
Tratamento da diástase abdominal
O tratamento que permite corrigir a diástase abdominal pode ser realizado com a aplicação de diversos exercícios de fisioterapia ou, em último caso, por cirurgia. Este procedimento cirúrgico é mais indicado para pessoas que apresentem um afastamento abdominal superior a 5 cm e em que os exercícios não foram, por si só, eficazes para corrigir este situação.
Qualquer procedimento terapêutico pode e deve ser começado logo a ser realizado após o parto ou, nos casos de cesariana, após a cicatrização completa. No caso do procedimento cirúrgico, este deve ser realizado apenas com indicação médica. Em alguns casos, a mulher pode optar logo pela correção abdominal após finalizar a amamentação do bebé.
A duração do tratamento é variável consoante o tamanho da diástase, dado que espassamentos abdominais maiores são mais difíceis de tratar, ou seja, devolver a união das fibras musculares é mais difícil, se forem aplicados somente exercícios ou fisioterapia, ou seja, sem recorrer a cirurgia.
Nas diástases em que o espessamento é inferior a 5 cm, se o tratamento fisioterapêutico for realizado diariamente, em cerca de 2 a 3 meses, os resultados da diminuição da diástase serão notórios.

Figura 3 – Representação do procedimento a tomar para a realização de uma cirurgia à diástase abdominal.
Complicações que podem advir da diástase abdominal
A principal complicação que se encontra associada a esta anomalia é o surgimento de dor ao nível lombar. Esta decorre do facto de os músculos abdominais atuarem como uma cintura natural e que protege a coluna durante a locomoção, em qualquer postura e na realização de exercícios. Na presença de uma fraqueza neste músculo, a coluna acaba por ficar sobrecarregada porque existe uma ausência de suporte e há, portanto, uma maior risco de desenvolver patologias secundárias, nomeadamente hérnias discais.
Assim, é fundamental realizar o quanto antes o tratamento supracitado, de forma a promover e a fortalecer as fibras abdominais evitando o desenvolvimento e aparecimento de patologias secundárias.
Fontes: Tua Saúde – Como identificar e tratar a diástase abdominal, Fisioterapia para Redução da Diástase dos Músculos Retos Abdominais no Pós-Parto, Prevalência de diástase dos músculos retoabdominais no puerpério imediato: comparação entre primíparas e multíparas

