A raposa-do-deserto (Vulpes macrotis) é uma espécie de raposa existente na América do Norte. A sua distribução geográfica ocorre no sudoeste dos Estados Unidos e no México central. O nome ‘Raposa-do-deserto’ também costuma ser utilizado para se referir ao feneco, uma raposa existente no norte de África. Mas o feneco (Vulpes zerda) e V. macrotis são espécies diferentes. Esta espécie de raposa é dos animais mais pequenos pertencentes à família Canidae, na América do Norte.

Close-up da cara da raposa-do-deserto. Autor: Departamento de Recursos Hídricos da Califórnia.
Para além das suas grandes orelhas (7,1-9,5 cm), a raposa-do-deserto pode chegar a pesar 1,6-2,7 kg e 45,5-53,5 cm de comprimento. A cauda adiciona cerca de 25-34 cm de comprimento ao corpo. Apresenta dimorfismo sexual: os machos são ligeiramente maiores que as fêmeas. Possui um casaco acinzentado com tons acastanhados e cor creme e a cauda possui um uma mancha escura na ponta. A cor da cauda pode variar entre o amarelado e o cinzento. As costas possuem uma coloração mais escuro que o resto do seu corpo, enquanto o ventre e o interior das orelhas são mais claras.
As grandes orelhas fazem parte da sua adaptação ao ambiente. As orelhas ajudam a raposa a diminuir a sua temperatura corporal e permitem ainda uma audição bastante apurada. O feneco também possui esta adaptação à vida no deserto.

Possuem umas orelhas de maiores dimensões, para facilitar a sua vida no deserto. Autor: Bill Keeran.
O seu território estende-se pelo árido interior do estado do Óregon, passando pelo Nevada, Utah, sudeste Californiano, Arizona, Novo México até ao Texas ocidental. Este mamífero prefere ambientes áridos, chaparrais e pradarias. Também podem ser encontrados a altitudes de 400-1.900 m acima do nível médio da água do mar.
Alimenta-se principalmente de pequenos animais, como coelhos, ratos-cangurus, lebres-da-califórnia, cães-da-pradaria, insectos, lagartos, cobras, peixes, pássaros terrestres. Caça principalmente à noite, saindo depois do pôr-do-sol à procura de alimento. É um animal carnívoro, mas se houver escassez de comida, a raposa-do-deserto alimenta-se de tomates, frutos de cacto, entre outros.
Diversas famílias de raposas-do-deserto podem partilhar os mesmos territórios de caça, mas geralmente não saem ao mesmo tempo.
Estado da Raposa-do-deserto
É uma espécie monógama. Estes pares de reprodução formam-se durante Outubro e Novembro, e podem mudar anualmente. Também já se observaram relações polígamas. A época de acasalamento ocorre entre Dezembro e Fevereiro. A gestação dura 49-55 dias. Nascem entre Março e Abril, cerca de 1-7 crias, mas habitualmente são 4. Estas não abandonam a sua toca até terem um mês de vida. Passam pelo desmame, após as oito semanas de vida e quando alcançam os 5-6 meses tornam-se independentes. Ambos progenitores tomam conta das crias. No seu habitat natural, vivem cerca de cinco anos e meio de vida, mas em cativeiro podem chegar aos 12 anos.
Análises genéticas demonstraram que a raposa-do-deserto apresenta uma maior relação filogenética com a raposa-veloz (V. velox). Porém as diferenças são suficientes apra as considerar espécies diferentes. A raposa-veloz é também maior que a raposa-do-deserto.

Um indivíduo da sub-espécie V. m. mutica. Autor: B. Peterson.
A raposa-do-deserto-de-San-Joaquin (Vulpes macrotis mutica) era uma sub-espécie bastante comum na Califórnia Central e no Vale de San Joaquin. Esta sub-espécie esteve quase 50 anos na lista de Espécies Ameaçadas. Apesar das medidas tomadas para proteger o seu habitat, a população continua a diminuir devido à perda do seu habitat natural. Outros factores que levaram a esta ocorrência: competição com a raposa-vermelha, a exterminação do lobo-cinzento da Califórnia que deixou o Coiote como o principal predador no território desta raposa. Assim, ocorreu um desequilíbrio do ecossistema. Outra sub-espécie como V. m. macrotis foi extinta em 1903. Atualmente, o estatuto desta espécie é pouco preocupante (não cumpre os critérios para se considerar ameaçada).

