A águia-das-filipinas (Pithecophaga jefferyi) é uma águia pertencente à família Accipitridae e é endémica às florestas das Filipinas. Possui uma coleção de penas castanhas e brancas, uma crista de penas desalinhadas. É considerada uma das maiores águias existentes no mundo. Apenas a harpia e a águia-marinha-de-steller são maiores em termos de peso e porte. Uma das aves mais raras e poderosas do mundo, a águia-das-filipinas é a ave nacional das Filipinas. Estima-se que a sua longevidade esteja entre os 30-60 anos. Porém, espécimens em cativeiro tendem a viver durante mais tempo.
O primeiro europeu a descobrir a espécie foi o explorador e naturalista inglês John Whitehead, em 1896. Após a sua descoberta, esta águia era conhecida como devoradora-de-macacos, pois os nativos da zona diziam que caçava exclusivamente macacos. É daqui que vem o seu nome latino do grego pithecus (“macaco”) e phagus (“comedor de”). Estudos posteriores revelaram que a devoradora-de-macacos também se alimentava de muitos outros animais, como por exemplo, colugos, lagartos monitores, cobras de grandes dimensões, civetas, e outras aves de grandes dimensões, como calaus. A dieta de cada espécie de ave depende das presas disponíveis no seu território.

A crista acastanhada da águia-das-filipinas dá lhe um aspecto único e fácilmente reconhecível. Autor: Harry Balais.
Com um bico e olhos com uma tonalidade azul-acinzentado, a águia-das-filipinas apresenta um dimorfismo sexual. Os machos têm um comprimento de cerca de 95 cm e as fêmeas de 105 cm. Os machos pesam cerca de 4.5 kg enquanto as fêmeas 6 kg. Ou seja, os machos são ligeiramente mais pequenos e mais leves que as fêmeas. A envergadura de asa da espécie está entre os 184-220 cm de comprimento. As fêmeas alcançam maturidade sexual aos 5 anos de idade, enquanto os machos aos 7 anos de idade.
As pincipais quatro ilhas onde se pode encontrar a águia-das-filipinas são Luzon oriental, Samar, Leyte e Mindanao. É nesta última onde residem o maior número de águias, cerca de 82-233 pares reprodutores. Nas outras três os números são consideravelmente pequenos. Em Mindanao, podem-se encontrar nos parques nacionais das Montanhas Apo, Malindang e Kitanglad. O habitat deste carnívoro é principalmente em florestas montanhosas, especialmente em zonas com elevado declive.
A ausência de predadores nas Filipinas, tornou a águia-das-filipinas o caçador dominante nas florestas. Cada par reprodutor precisa de um enorme território se quiser criar uma cria com sucesso. Assim estão bastante vulneráveis à deflorestação. A águia-das-filipinas normalmente fica num ramo, imóvel, a observar o território em redor à procura de presas, ou voa entre diversos ramos, enquanto vigia os solos. As estratégias normalmente dependem da disposição do seu habitat. O vôo desta espécie é bastante rápido e ágil, lembrando o vôo de gaviões mais pequenos do que outras aves de rapina de grandes dimensões.

Estas águias possuem um tamanho um porte imponente. Autor: Jim de Francia.
Para caçar macacos, que normalmente têm tamanhos aproximados às águias, o par junta esforços. Enquanto um distrai os macacos, o outro tenta apanhar um desprevinido. Um macaco adulto é uma presa perigosa, pois devido à sua força e peso (cerca de 9 kg), pode levar a uma pata partida no caso da águia, ou ferimentos piores.
A época de acasalamento é em Julho. A corte começa com a construção do ninho, numa árvore alta, e com demonstrações aéreas entre o macho e a fêmea. O ninho normalmente está a 30 m do solo e é feito com paus. A progenitora põe normalmente um ovo (raras são as excepções em que são dois). O ovo é incubado durante 58-68 dias. Ambos progenitores participam na encubação, as a progenitora é que realiza a maior parte da encubação durante o dia e toda a encubação durante a noite.
Ambos progenitores participam na alimentação da cria. Há sempre um progenitor que fica a tomar conta da cria, protegendo-a do sol ou da chuva, até esta ter sete semanas de idade. A cria fica ao cuidado de ambos progenitores durante 20 meses no total.
Infelizmente, a águia-das-filipinas encontra-se seriamente ameaçada.

Uma cria num ninho. Autor: Mark Harper.
Caso um dos indivíduos do par morra, a outra águia começa a procurar por um novo parceiro. Normalmente, o par mantêm-se junto para o resto da vida.
As principais organizações dão a águia-das-filipinas como uma espécie em perigo crítico de extinção. Estas mesmas acreditam que cerca de 600 indivíduos permanecem na natureza, após 2015. A principal causa é a perda de habitat, devido à desflorestação. Muito dos terrenos florestais antigos estão a ser substituídos por campos agrícolas ou cortados pela indústria de madeiras. Outros perigos incluem as atividades mineiras, poluição, exposição a pesticidas e caça-furtiva. Para proteger a a espécie o governo filipino colocou em acçãosérias medidas, como uma pena de 12 anos na cadeia para pessoas que matem uma águia-das-filipinas e coimas pesadas. A criação de reservas protegidas e programas de reprodução em cativeiro, em zoos, têm sido levado a cabo.
Fonte: Wikipedia

