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A síndrome do ovário poliquístico (SOP) é uma patologia do sistema endócrino feminino bastante prevalente, afetando cerca de 4-10% das mulheres a nível mundial (1). Não se sabe qual a causa exata desta doença. No entanto, é evidente a presença de uma componente hereditária, já que a probabilidade de a ter aumenta em famílias com historial (2).
A SOP é caracterizada pela produção excessiva de androgénios, em particular a testosterona, pelas céulas da teca do ovário, em resposta a uma estimulação pela hormona libertadora de gonadotrofinas (GnRH), produzida no hipotálamo (2). A insulina também tem um papel importante na estimulação das células teca: por um lado, tem um sinergismo com a hormona LH, aumentando a produção de androgénios no ovário (1, 2); por outro lado, inibe a síntese da SHBG (proteína que liga as hormonas sexuais), resultando numa maior quantidade de androgénios livres (e, portanto, ativos) (2).

Ovário normal vs. ovário poliquístico. Adaptado de Norman et al. Polycystic ovary syndrome. The Lancet (3)
Os sintomas normalmente associados a este síndrome relacionam-se, assim, com o aumento de androgénios na mulher. Entre eles, destaca-se a presença de ovários poliquísticos e aumentados, a presença de hirsutismo (crescimento excessivo de pêlos terminais na mulher em localizações de distribuição masculina, tais como face, abdómen, etc), alopécia (queda de cabelo acentuada em zonas tipicamente masculinas) irregularidade menstrual, acne e infertilidade. A obesidade, aumento de gordura no abdómen, dislipidémia e resistência à insulina (mesmo na ausência de obesidade) ou até diabetes tipo 2 são co-morbilidades frequentemente associadas a esta doença (1, 2). Consequentemente, as mulheres com SOP têm risco aumentado de sofrer de doenças cardiovasculares (1, 2). As doentes podem também apresentar acantose nigricans, que se caracteriza pelo espessamento e escurecimento da pele nas axilas, virilhas ou pescoço, e que é um sinal de resistência à insulina. (1, 2)
Normalmente, o diagnóstico da SOP é feito durante a adolescência, quando os sintomas começam a aparecer; no entanto, a doença pode desenvolver-se já na idade adulta. O diagnóstico apoia-se nos sintomas, no historial clínico e familiar da doente e é confirmado com a determinação dos níveis hormonais da testosterona e outras hormonas do eixo hipotálamo-hipófise-ovário (LH, FSH), e com a presença de ovários com múltiplos quistos em ecografia abdominal. (2)
O tratamento é sintomático e não dirigido para a cura da doença. As mulheres com SOP, especialmente as obesas, são aconselhadas a adotar um estilo de vida saudável e a praticar exercício frequentemente, já que irá ajudar a controlar a glicemia e a dislipidémia. Se, no entanto, isto não for suficiente, podem ser receitados fármacos anti-diabéticos, como a metformina. Tratamentos estéticos ajudam no controlo do hirsutismo. O controlo hormonal é feito através da pilula contracetiva combinada (estrogénios e progesterona) e outros medicamentos anti-androgénicos, como a spironolactona. As mulheres que se deparem com problemas de fertilidade devido à SOP devem fazer os respetivos tratamentos (2).
A PCOSChallenge.org é um uma organização de apoio às mulheres com SOP.
- Dumitrescu R, Mehedintu C, Briceag I, Purcarea VL, Hudita D. The polycystic ovary syndrome: an update on metabolic and hormonal mechanisms. J Med Life. 2015;8(2):142-5.
- Fox T, Brooke A, Vaidya B. Endocrinology. 1 ed: JP MEDICAL PUBLISHERS; 2015.
- Norman RJ, Dewailly D, Legro RS, Hickey TE. Polycystic ovary syndrome. The Lancet.370(9588):685-97.

